Olá seguidores! É um prazer revê-los e estou aqui para apresentar a nova interpretação: Faroeste Caboclo.
Com toda a certeza que eu tenho por seguir Legião Urbana, Faroeste é uma das músicas de maior sucesso. Não é a que eu mais gosto, mas também não desgosto dela (como de nenhuma), afinal, ela é importantíssima para o grande sucesso de nossos três grandes músicos na época.
Faroeste fala da diferença social, do modo indiferente do governo, do modo de vida brasileiro, de tudo o que cerca os crimes e de toda a corrupção. Além de ser uma crítica social, uma crítica à política, é também uma crítica à voz brasileira, é uma crítica ao povo.

Para ficar bem simples o modo de escrita dessa postagem, dividirei em partes a música, por dois simples motivos: é mais fácil de entender, pois a música é bem grande e assim consigo ter mais espaço nela, e por também ela ser uma fase de um personagem, para tanto, essa "vida" será feita em etapas.
A música não é difícil de ser interpretada, mas o que eu considerar interessante analisarei e caso tiver preguiça de ler a letra, o que estiver em preto é a parte à ser analisada (como em outras postagens). 

As fases de João de Santo Cristo virão nessa postagem, coloquei assim para ficar mais organizado.

Espero que gostem dessa interpretação e aguardo respostas.
Meus votos de Feliz Natal aproveitando o espaço.

O Blogueiro. 

PS: Uma grande curiosidade que acho interessante expor, é que a letra, virará filme nesse 2012 e quem tiver curiosidade visite o site do filme, as cenas já foram gravadas e muita gente aguarda por tal sucesso, que antes era apenas sonoro, e agora poderá ser visual também. O Elenco conta com Ísis Valverde, como Maria Lúcia e Fabrício Bolivieira, como João. 



A letra, por ser muito grande, foi dividida em várias partes, que eu considero como as fases de João de Santo Cristo. Segue-se a letra e interpretação:

Infância de João de Santo Cristo: 

"Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu
Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da sertania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu
Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar
Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
De escolha própria, escolheu a solidão
Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
Aos quinze, foi mandado pro o reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.
Não entendia como a vida funcionava
Discriminação por causa da sua classe e sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador."

A primeira parte fala muito do preconceito que João vivia, fala sobre a morte do pai, e sobre a esperança do futuro do menino. Crescendo em meio à violência, crescendo em meio aos maus tratos e maus atos, João desde cedo aprendeu o que é viver duramente. Era um menino que podemos considerar, que tenha vivido mais coisas em sua infância, que muitos durante a vida toda.
João cansado de tanta injustiça e de tanta coisa errada, decide deixar-se iludir, e vendo a TV (mostrando aqui, a influência da mídia) juntou dinheiro para viajar, e acabou-se por viver só. Depois disso, depois de não achar respostas para sua vida, decidiu ir viajar para Salvador, juntando todo o seu dinheiro.
Até então, ele já teria perdido o pai, já teria roubado igrejas e já teria feito sexo com todas as "menininhas da cidade".

Juventude de João de Santo Cristo: 

"E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvar
Dizia ele: "Estou indo pra Brasília
Neste país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar"
E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal
'Meu Deus, mas que cidade linda,
No Ano-Novo eu começo a trabalhar'
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês em Taguatinga
Na sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô
Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar
E o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado, a plantação foi começar."

Aqui, a vida de João se transforma.
Ele vai à Brasília por "acaso", e lá, conhecendo uma nova esfera, um novo meio de pessoas diferentes, começou o trabalho.
Carpinteiro em Taguatinga, nas sextas gastava dinheiro com sexo, conhecia gente famosa e num desses encontros um antigo parente. Pablo, um peruano, mexia com drogas, o que fica claro, quando ele começou o trabalho na "plantação", pois ele já trabalhava muito e não via o "retorno" (ou não aproveitava bem ele).

Mudança de João de Santo Cristo:

"Logo logo os maluco da cidade souberam da novidade:
'Tem bagulho bom ai!'
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali.
Fez amigos, frequentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock, pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinho da cidade
Começou a roubar.
Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
'Vocês vão ver, eu vou pegar vocês'
Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general
Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
'Maria Lúcia pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter'"

João, acabou ficando rico com o comércio fácil das drogas. Faliu muitos traficantes e acabou ganhando fama, frequentando a "Asa Norte" (parte nobre de Brasília), começou depois disso, a influência nos roubos e logo, começaram os estupros e violências em seu corpo (podemos usar a prostituição), depois de tanto mudar, de mudar de mal à pior, ele mudou de pior, ao bom. Ele conheceu Maria Lúcia, a qual sentiu desejo de casar e de ter um filho, tendo tais sonhos, desistiu de tudo e se arrependeu de seus antigos atos.

O Tempo e João de Santo Cristo:

"O tempo passa e um dia vem na porta
Um senhor de alta classe com dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta, uma resposta do João
'Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o cu na mão
E é melhor senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião'
Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:
'Você perdeu sua vida, meu irmão'
'Você perdeu a sua vida meu irmão
Você perdeu a sua vida meu irmão
Essas palavras vão entrar no coração
Eu vou sofrer as consequências como um cão'
Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira
Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
E Santo Cristo revendia em Planaltina"

Aqui está o clímax da história.
Aqui, vemos os pontos da Ditadura. Pessoas propondo feitos em mãos de outras (explosão em banca de jornal - pelo jornal falar mal do governo, e colégio de crianças - por professores falarem a verdade).
Vemos também a presença irônica de Renato perante o governo.
Nessa parte, é bem declarado que João se transforma, e aqui, ele começa a usar armas, e revender drogas em Brasília.

Reviravolta e João de Santo Cristo: 

"Mas acontece que um tal de Jeremias,
Traficante de renome, apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que, com João ele ia acabar
Mas Pablo trouxe uma Winchester-22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigar
Jeremias, maconheiro sem-vergonha
Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar
Desvirginava mocinhas inocentes
Se dizia que era crente mas não sabia rezar
E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
'Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já tá em tempo de a gente se casar'
Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez
Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias pra um duelo ele chamou
Amanhã às duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou
E você pode escolher as suas armas
Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia
Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor'"

Por falta de oportunidades, João começou as revendas de drogas, com isso, conseguiu a inimizade com outros traficantes, como Jeremias.
O mesmo traficante, Jeremias, casou-se com Maria Lúcia, a prometida e amada de João, é ai que ele sente que vai ao Inferno pela segunda vez na vida, com muito ódio, João resolve ter um duelo com Jeremias.
Acho muito interessante citar a Rockonha, que nada mais era do que festas de bandas de Rock com muita droga, e bebida, o que gera o famoso "Sexo, drogas e Rock in Roll".

O Duelo e João de Santo Cristo: 

"E o Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razão
No sábado então, às duas horas,
Todo o povo sem demora foi lá só para assistir
Um homem que atirava pelas costas
E acertou o Santo Cristo, começou a sorrir
Sentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV que filmava tudo ali
E se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
'Se a via-crucis virou circo, estou aqui'
E nisso o sol cegou seus olhos
E então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester-22
A arma que seu primo Pablo lhe deu
'Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é
E não atiro pelas costas não
Olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha
Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão'
E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor
E o povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade
Não acreditou na história que eles viram na TV
E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz...
Sofrer..."


Aqui é a ultima parte da música, é nessa parte que vemos o grande desfecho da vida de João de Santo Cristo, é aqui que vemos novamente o poder da Mídia.
Mesmo quase morrendo, João matou seu traidor, e Maria Lucia, se matou para ir com João.
Vemos então que o que João sempre quis, foi resolver as indiferenças com autoridades. O que ele queria era se resolver com o presidente e não conseguiu o que queria, pois morreu antes disso, porém, esse ato foi contemplado também pela alta sociedade de Brasília.
Acho interessante mencionar a "Se a via-crucis virou circo, estou aqui": Via-Crucis é o caminho que Cristo fez, "Caminho da Cruz" seria sua tradução do Latim ao Português, porém, aqui é associado ao ato de João de Santo Cristo (vemos que o nome nos lembra isso). Sua vida foi uma Via-Crucis, foram torturas e momentos de dor que João viveu toda a vida, e agora, seus momentos de dor, foram aplaudidos, sua "via Crucis" virou "circo", para ser aplaudida, e mesmo assim, ele continua em pé, lutando para ganhar.

Espero ter sido compreendido, e espero que tenham gostado. O vídeo está na postagem da apresentação.

Blogado e interpretado por: Eduardo Rezende



Fábrica, em minha opinião, é uma das músicas mais irônicas e realistas que Renato já fez.
Sendo de sucesso grande entre os legionários, é uma letra fácil e simples, que nos mostra a realidade das fábricas e cidades, do preço e das causas que as fábricas nos trazem. Fala sobre o direito dos trabalhadores, e sempre que ouço a música, imagino uma revolução acontecendo. Uma revolução por trabalho honesto, que faria muitos e muitos trabalhadores se rebelarem contra seus patrões. Segue-se a interpretação:

Nosso dia vai chegar,
Teremos nossa vez.
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz.
Não é muito o que lhe peço -
Eu quero um trabalho honesto
Em vez de escravidão.

Aqui, como eu disse primeiramente, é como se fossem trabalhadores e operários falando para seus patrões e responsáveis, empresários e pessoas donas de outras. Eles começam dizendo que o "dia deles chegará", que a vez de vencer deles, está próxima, e que eles terão a vez deles. Vemos a menção dos "Direitos Humanos" (Nem direitos e nem humanos), quando é dito "Não é pedir demais/Quero justiça", é como se eles buscassem seus direitos por trabalho, pois continuam dizendo que querem trabalhar em paz, e pedem novamente (de um modo sarcástico) que querem trabalho honesto e então dizem a palavra que pode nos mostrar a total realidade: Escravidão. 

Deve haver algum lugar
Onde o mais forte
Não consegue escravizar
Quem não tem chance.

Aqui, é quando dizem sobre as expectativas e os pensamentos sobre novos empregos e serviços, pois é exatamente assim que é a mudança de emprego: a imaginação do próximo emprego, como sendo melhor em todos os pontos. Aqui, no caso, o ponto seria a escravidão e o modo de serviço. Quem escraviza, seriam os patrões, e os escravizados, os sem oportunidades que pegam o trabalho e viram máquinas.

De onde vem a indiferença
Temperada a ferro e fogo?
Quem guarda os portões da fábrica?

Aqui, fala do desprezo de patrões, do modo indiferente que eles veem o trabalho árduo dos operários da Fábrica. O Ferro e Fogo pode tanto ser mostrado como o "modo ferro-e-fogo", como também, dar uma insinuação do estilo da Fábrica.
A Frase dos porteiros da Fábrica, eu creio que seja pra insinuar que são eles mesmos quem podem abrir e fechar as portas das fábricas.

O céu já foi azul, mas agora é cinza
O que era verde aqui já não existe mais.
Quem me dera acreditar
Que não acontece nada de tanto brincar com fogo,
Que venha o fogo então.

Aqui, é mostrado a realidade da Fábrica e do que ela pode causar, o céu cinza, as florestas desmatadas, todas colocadas com ironia.
Então, Renato diz: "Quem me dera acreditar/Que não acontece nada..." - Isso refere-se ao medo deles de fazer algo e do que pode ser vindo dessa ação. A Reação de tal ato, enquanto "De tanto brincar com fogo/Que venha o fogo então", refira-se ao que eles podem fazer. Eles foram brinquedos, e agora, os brinquedos transformam-se.

Esse ar deixou minha vista cansada,
Nada demais.

Aqui, com certeza, é a parte mais irônica da música:
Renato diz que sente a vista cansada por causa do ar poluído da Fábrica. E como descaso de seus patrões, recebe a resposta: "Nada demais...", o que muitas vezes ocorre, pois os operários são máquinas, enquanto servem ao patrão, não tem valor algum, pois eles dão seu bruto trabalho, e o que ganham, não se compara ao que o outro ganha, em suas costas, o outro, que não respira o ar poluído, que não vê árvores caídas e a realidade das Fábricas. 


Sem dúvidas, Fábrica é uma das minhas músicas preferidas, e espero que tenham gostado da interpretação. 
Analisado e interpretado por: Eduardo Rezende




Eu sei é uma das músicas da Legião que nos passa uma história muito interessante, do inicio ao fim, deixando uma moral em suas entrelinhas.
Apresentada no "Que País É Esse", "Eu Sei" conta a história de um casal, do modo de vista do parceiro (na primeira pessoa), e com o decorrer da música entendemos a trama, segue-se a letra e interpretação:

Sexo verbal
Não faz meu estilo
Palavras são errosE os erros são seus...

Aqui vemos que Renato reforça bastante as palavras. Começa com "sexo verbal", que seria o ato de  fazer sexo, com palavras, e ai ele diz que tal ato, não faz parte de seu estilo, e diz o porquê: explica que palavras são erros, e que os erros (de tais palavras) são da outra pessoa, a parceira.

Não quero lembrar
Que eu erro também
Um dia pretendo
Tentar descobrir
Porque é mais forte
Quem sabe mentir
Não quero lembrar
Que eu minto também...
Eu sei! Eu sei!...


Aqui, Renato explica que também erra, e diz que pretende tentar descobrir o porquê das pessoas mentirem serem fortes, mas ai ele deixa algo que será explicado nas próximas linhas: Renato errou em confiar, e mentiu pra si mesmo, quando descobriu o que acontecia. Então, Renato diz as palavras que explicam o título: ele sabe de algo.

Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone
Pode ser alguém
Com quem você quer falar
Por horas e horas e horas...

Aqui, é explicado a causa do sexo verbal: Ela, traia ele, com outra pessoa. Fazia sexo com outro por telefone, e então, ele descobre porque ela não fechou a porta do quarto, é quando ele mente pra si mesmo, pois finge que não sabe, e usa da ironia para continuar tudo na mesma, para continuar o relacionamento de ambos, mas deixa claro que quando a porta é fechada, e o telefone toca, é o "alguém" que ela tanto espera falar por horas e horas, o outro.

A noite acabou
Talvez tenhamos
Que fugir sem você
Mas não, não vá agora
Quero honras e promessas
Lembranças e histórias...

Aqui, ela é quem fala pra ele. Ela diz que a noite acabou e ela fugirá sem ele, e então, ele responde e diz que não quer que ela vá agora, que ela fique, para lhe mostrar honras, promessas, lembranças e histórias.

Renato então, lança a parte mais interessante da música, e a mais poética:

Somos pássaro novo
Longe do ninho
Eu sei! Eu sei!...

Esses pequenos versos mostram toda a situação dele: Eles são "pássaro novo", longe do ninho. Ou seja, são desprotegidos como os pássaros longe de seus abrigos, são indefesos.



A música fala sobre a traição cometida por ela pra ele.
Ela fazia sexo por telefone com outro, e não se preocupava com o que ele pensava ou sentia. Ele sabia o tempo todo, mas fingia não saber. Mentia para si, fingindo não saber, e errava também, por não tomar a atitude correta diante de tal ato.

Interpretado e analisado por: Eduardo Rezende




Sendo do disco "As Quatro Estações" (quarto disco lançado), "Eu Era Um Lobisomem Juvenil" traz para o público o reflexo do tímido e inteligente Renato. É a faixa onde vemos parte de crítica, parte de história e é uma das quais eu acho mais interessante na parte do ritmo da música.
O título possivelmente, faz a referência ao Renato adolescente, aquele que por ser diferente era encarado como algum ser perigoso, ou então, até pelo fato de um lobisomem ter duas faces, e Renato conseguir ser tão multipolar em suas músicas, ou talvez até, pelo fato de um lobisomem ser uma lenda, e a lenda por sua vez, uma história antiga, fazendo do lobisomem, algo antepassado, que era como Renato se sentia em sua adolescência.

Luz e sentido e palavra, palavra
É que o coração não pensa
Ontem faltou água
Anteontem faltou luz
Teve torcida gritando
Quando a luz voltou
Não falo como você fala
Mas vejo bem
O que você me diz...

Aqui, Renato faz referência aos seus sentimentos. Creio que "palavra" seria algum sentimento.
Renato coloca sua crítica quando diz que faltou água e luz, e que fizeram "a festa" quando a luz voltou, aqui provavelmente, mostrando a crítica e logo depois, a parte que completa a primeira, quando ele diz que não fala como a terceira pessoa fala, mas vê bem o que ela diz. Que não concorda com o que é dito, mas consegue interpretar.

Se o mundo é mesmo
Parecido com o que vejo
Prefiro acreditar
No mundo do meu jeito
E você estava
Esperando voar
Mas como chegar
Até as nuvens
Com os pés no chão...

Renato deixa a frase mais perfeita da música:
Quantas vezes nos deparamos com a realidade do mundo e não gostaríamos de fazer nossa própria realidade e nossos próprios momentos? Quantas vezes não queremos um mundo só do nosso jeito? E ai então, ele diz "E você estava esperando voar, mas como chegar até as nuvens com os pés no chão?" o que realmente é verdade. Não podemos viver nas nuvens, nos sonhos, sem estarmos presos ao solo, à realidade.

O que sinto muitas vezes
Faz sentido e outras vezes
Não descubro um motivo
Que me explique porque é
Que não consigo ver sentido
No que sinto, que procuro
O que desejo e o que faz parte
Do meu mundo...

Aqui ele fala sobre o sentido e sobre a busca que ele procura nele, com seus desejos, com seus sentimentos e com seus próprios sonhos, complementando a parte anterior, quando diz "do meu mundo".

O arco-íris tem sete cores
E fui juiz supremo
Vai, vem embora, volta
Todos têm, todos têm
Suas próprias razões...

Aqui ele fala novamente com a terceira pessoa:
Provavelmente, ela se fui, e ele diz pra ela voltar, e fala sobre as razões. Renato não gostava de ser contrariado e não gostava de perder a razão, provavelmente, aqui ele fala sobre ele mesmo, mostrando o lado próprio na música.

Qual foi a semente
Que você plantou?
Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo
E daí, de hoje em diante
Todo dia vai ser
O dia mais importante...

A semente, é o modo de dizer sobre o que é plantado é colhido.
Ele fala sobre crer que todo o dia será o dia mais importante, o mesmo que "viver um dia de cada vez" e também cita o fato de muita coisa acontecer ao mesmo tempo e nem ele entender o que está sendo feito.

Se você quiser alguém
Prá ser só seu
É só não se esquecer
Eu estarei aqui...

Aqui ele fala com a terceira pessoa, é bem claro:
Ele espera que a pessoa tenha confiança nele e que possa contar com ele.

Não digo nada
Espero o vendaval passar
Por enquanto eu não sei
O que você me falou
Me fez rir e pensar
Porque estou tão preocupado
Por estar
Tão preocupado assim...

Aqui, ele deve falar sobre as conclusões e atos precipitados, uma vez que ele não diz nada e espera a confusão passar, mostra que está confuso e pensativo com o que foi dito sobre ele ficar tão preocupado com o fato dele próprio estar preocupado.

Mesmo se eu cantasse
Todas as canções
Todas as canções
Todas as canções
Todas as canções do mundo
Sou bicho do mato...

Essa parte é bem complicada, e o "bicho do mato" é a única coisa com lógica que se encaixa perfeitamente no título da música. Ele mesmo cantando todas as canções do mundo, mesmo não estando tão preocupado, continuaria sendo um lobisomem juvenil. Uma lenda viva, em corpo de um jovem.

Mas se você quiser alguém
Prá ser só seu
É só não se esquecer
Eu estarei aqui...

Ou então não terás jamais
A chave do meu coração...

Aqui ele fala novamente sobre a confiança, mas completa dizendo que se não houver a confiança nele, a terceira pessoa, jamais conseguirá "a chave" de seu coração.


Análise e texto: Eduardo Rezende



Acho que essa interpretação será a mais diferente do blog. Não tem o que dizer, não tem o que explicar. O cara era um moço de família, caseiro, cheio de costumes e até meio antepassado. Ao mesmo tempo estilo nerd, ao mesmo tempo, o carinha lerdo. A moça, era aquela descolada, que sabia de tudo, e que tinha um futuro brilhante pela frente. Ela, um dia, se encontrou sem querer com ele, e desde então uma amizade foi feita e afundada. Mônica e Eduardo sem dúvida alguma, foi o maior casal das músicas da Legião, e o melhor casal das músicas do Rock. Talvez o mais conhecido, eles levam a fama e vida à musica "Eduardo e Mônica" que veio a ser a música mais bem querida por fãs da Legião Urbana.

"Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
No outro canto da cidade, como eles disseram

Eduardo e Mônica um dia se encontraram sem querer
E conversaram muito mesmo pra tentar se conhecer
Um carinha do cursinho do Eduardo que disse
"Tem uma festa legal, e a gente quer se divertir"
Festa estranha, com gente esquisita
"Eu não tô legal", não agüento mais birita"
E a Mônica riu, e quis saber um pouco mais
Sobre o boyzinho que tentava impressionar
E o Eduardo, meio tonto, só pensava em ir pra casa
"É quase duas, eu vou me ferrar"
Eduardo e Mônica trocaram telefone
Depois telefonaram e decidiram se encontrar
O Eduardo sugeriu uma lanchonete
Mas a Mônica queria ver o filme do Godard

Se encontraram então no parque da cidade
A Mônica de moto e o Eduardo de "camelo"
O Eduardo achou estranho, e melhor não comentar
Mas a menina tinha tinta no cabelo
Eduardo e Mônica eram nada parecidos
Ela era de Leão e ele tinha dezesseis
Ela fazia Medicina e falava alemão
E ele ainda nas aulinhas de inglês
Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus
Van Gogh e dos Mutantes, de Caetano e de Rimbaud
E o Eduardo gostava de novela
E jogava futebol-de-botão com seu avô
Ela falava coisas sobre o Planalto Central
Também magia e meditação
E o Eduardo ainda tava no esquema
Escola, cinema, clube, televisão
E mesmo com tudo diferente, veio mesmo, de repente
Uma vontade de se ver
E os dois se encontravam todo dia
E a vontade crescia, como tinha de ser

Eduardo e Mônica fizeram natação, fotografia
Teatro, artesanato, e foram viajar
A Mônica explicava pro Eduardo
Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar
Ele aprendeu a beber, deixou o cabelo crescer
E decidiu trabalhar (não!)
E ela se formou no mesmo mês
Que ele passou no vestibular

E os dois comemoraram juntos
E também brigaram juntos, muitas vezes depois
E todo mundo diz que ele completa ela
E vice-versa, que nem feijão com arroz
Construíram uma casa há uns dois anos atrás
Mais ou menos quando os gêmeos vieram
Batalharam grana, seguraram legal
A barra mais pesada que tiveram

Eduardo e Mônica voltaram pra Brasília
E a nossa amizade dá saudade no verão
Só que nessas férias, não vão viajar
Porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação

E quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?"

E é essa a razão do coração. A Mônica mudou o Eduardo por completo, e o Eduardo, com sua forma jovem e simpática, completou a Mônica. Fizeram cursos, aprenderam, viveram, fizeram... E tudo isso, pela razão do Amor que ambos buscaram e encontraram.
Renato acaba a música com a mesma pergunta com que começa: "Há razão no amor?".
Eduardo e Mônica é difícil e complicada, como Renato diz no "Platéia Livre", mas é uma canção tão bem estruturada e bonita que nos faz realmente crer e pensar num casal tão perfeito.



Análise e texto: Eduardo Rezende



Sendo uma das músicas de ritmo mais animado, “Dezesseis” é a nona faixa do disco “A Tempestade” lançado em  96.  A música, assim como muitas outras da Legião, retrata a história de uma terceira pessoa – Como “Eduardo e Mônica”, “Faroeste Caboclo” e outras, e é passada basicamente em Brasília, um dos lugares que mais proporcionaram criatividade ao Renato. Tem uma estrutura simples e uma letra fácil. Segue-se abaixo a interpretação da música com a letra e vídeo após (comentem!):


João Roberto era o maioral
O nosso Johnny era um cara legal
Ele tinha um Opala metálico azul
Era o rei dos pegas na Asa Sul
E em todo lugar

Nessa primeira parte, podemos ver o pensamento que todos tinham dele: Johnny era o maioral, era "O Cara", e vemos também que possuía um Opala, e que era o cara "dos pegas" na Asa Sul (lado Sul de Brasilia - lugar da história) e em todos os lugares. Um cara, possivelmente, que as meninas "lamberiam o chão".

Quando ele pegava no violão
Conquistava as meninas
E quem mais quisesse ter
Sabia tudo da Janis
Do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones

Aqui, temos novas informações sobre o personagem. Uma curiosidade, são os cantores que Johnny gostava, que são os mesmos que Renato também gostava. Talvez, seja pra mostrar que essa era a moda musical na época entre os jovens.

Mas de uns tempos prá cá
Meio que sem querer
Alguma coisa aconteceu
Johnny andava meio quieto demais
Só que quase ninguém percebeu

Vemos aqui, que Johnny estava mudando seu comportamento. Estava diferente, e esse pensamento e ação, é complementado:

Johnny estava com um sorriso estranho
Quando marcou um super pega no fim de semana
Não vai ser no CASEB
Nem no Lago Norte, nem na UnB
As máquinas prontas
Um ronco de motor
A cidade inteira se movimentou

Aqui, Renato refere-se às "rachas" que os jovens já faziam naquela época.
Máquinas seria o termo dado aos carros.

E Johnny disse:
"- Eu vou prá curva do Diabo em Sobradinho e vocês ?"

Aqui, Johnny completa a informação anterior, explicando que a corrida não seria no CASEB, ou no Lago Norte, ou na UnB. Que seria na Curva do Diabo - temos noção pelo nome.

E os motores sairam ligados a mil
Prá estrada da morte o maior pega que existiu
Só deu para ouvir, foi aquela explosão
E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão

Aqui, vemos que os motores saíram em disparada, e que como resultado do ato, ouviu-se uma explosão, e a frase seguinte nos mostra o que aconteceu: Johnny sofreu um acidente, e seu carro despedaçou-se, ou seja, o personagem morreu.

No dia seguinte, falou o diretor:
"- O aluno João Roberto não está mais entre nós
Ele só tinha dezesseis.
Que isso sirva de aviso prá vocês".
E na saída da aula, foi estranho e bonito
Todo o mundo cantando baixinho:
Strawberry Fields Forever
Strawberry Fields Forever

Nessa parte, vemos que a noticia é divulgada pelo diretor da escola, que comunica aos seus alunos e colegas de Johnny, a morte deste. O diretor, deixa um recado: "Ele só tinha dezesseis./Que isso sirva de aviso prá vocês". O diretor, deixa claro, que Johnny teve sua tragédia aos dezesseis anos - nome da musica - e que essa informação pudesse servir para os alunos e colegas, para eles verem que Johnny morreu jovem, por pura vontade de aventura e desejos de busca de perigo, e claro, pra divulgar que o que aconteceu com Johnny, poderia ocorrer com outros.

E até hoje, quem se lembra
Diz que não foi o caminhão
Nem a curva fatal
E nem a explosão
Johnny era fera demais
Prá vacilar assim
E o que dizem que foi tudo
Por causa de um coração partido
Um coração

Aqui, vemos que a razão da morte não foi o caminhão da curva, nem a curva em si por ser violenta, nem a explosão, e deixa-se claro, que apesar de tão "legal" (nas palavras de Renato, "fera"), Johnny vacilou, deixando-se levar pelo desejo de morte, por causa de um coração partido. E então repete-se as duas palavras: "um coração" como se isso fosse um pensamento lamentoso.

Bye, bye bye Johnny
Johnny, bye, bye
Bye, bye Johnny.

A ultima parte, e mais melodiosa, vemos o que possivelmente, seriam os amigos dele cantando para ele: "Bye, bye bye Johnny".




Achei interessante colocar esse vídeo. É um trabalho acadêmico em 3D muito legal, que deixa claro a mensagem da música e é interessante por ser facil de acompanhar a história. Espero que tenham gostado. Comentem!!

Analisado e interpretado por: Eduardo Rezende





Do álbum "Dois" da Legião, "Daniel na Cova dos Leões" apresenta várias teorias dentre as mais famosas que refere-se ao uso de drogas e ao ato do sexo homossexual. Creio que refere-se ao segundo, uma vez que nas letras e nos livros é deixado claro o que Renato pensava sobre. É uma letra de um formato simples, porém provida de simbolismos e ideias que são encontradas nas entrelinhas.
Segue-se abaixo a letra e a interpretação:


Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo.
De amargo, então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve,
Forte, cego e tenso, fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.

Aqui, creio que Renato refere-se ao ato do sexo oral (nos três primeiros versos) e depois ao ato sexual em si, quando diz que sente o cheiro da terceira pessoa fica em seus braços e diz que achava que era muito e muito pouco. Entrando numa possível contradição ou então num possível complemento.

Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão.
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.

Ele diz que fará do segredo deles, o dele. Provavelmente refere-se ao ato de terem feito sexo e que ele desafia o instinto dissonante - As dissonâncias são reconhecidas auditivamente como sons mais ou menos desagradáveis. Por outro lado, são as notas dissonantes as responsáveis por dar o colorido dos acordes, ou seja, seria um ato desagradável porém, algo de complemento. 
Renato diz que a insegurança não o ataca quando erra, mostrando que é confiante no que faz, até nos erros, fala também que o medo que o parceiro tem, não faz da força dele confusão, e diz então, a frase que nos deixa claro (mais uma vez) que se trata de um relacionamento homossexual: “Teu corpo é meu espelho e em ti navego”, ou seja, o corpo dele, Renato, é igual ao corpo da pessoa com que transa.

Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque não vemos.

Aqui, Renato deixa claro o que sente: Ele sente-se um barco a motor, e que insiste em usar os remos, ou seja, ele sente como algo fácil e rápido, mas que usa métodos complicados e difíceis (remar no caso), É como se ele fosse um barco a motor, um homossexual no caso, e insistisse em não ser, insistisse em ser o que não é, um barco com remos, o mesmo que remar contra a maré. 
“É o mal que a água faz quando se afoga” refere-se ao mal que vem de nossos próprios erros, o mesmo como se ele fosse nadar e se afogasse. A vontade dele foi nadar, e a consequência, afogar-se. “E o Salva-vidas não está lá porque não vemos”, muitas vezes nosso salva vidas está próximo e nós não queremos enxergar sua presença, uma vez que acreditamos não ter saída, e então nos “afogamos” por não conseguir ver o “salva-vidas”

Interpretado e analisado por: Eduardo Rezende



Sendo do disco Uma Outra Estação, e não tendo grande referência e fama, como tantas outras desse disco ou de outras, Dado Viciado faz uma referência aos usuários de drogas, e como deixado muito claro por Renato Russo, o personagem da música, não faz referência alguma com Dado Villa-Lobos, o guitarrista da Legião Urbana. Isso além de deixado claro em entrevista, é dito também no encarte do disco, após a letra. Ela faz referência ao primo de Renato, viciado em drogas, como o personagem. Segue-se a interpretação e a letra:


Você não tem heroína, então usa Algafan
Viciou os seus primos, talvez sua irmã
Mas aqui não tem Village, rua 42
Me diz pra onde é que é que você vai depois
Por que você deixou suas veias fecharem?
Não tem mais lugar pras agulhas entrarem
Você não conversa, não quer mais falar
Só tem as agulhas pra lhe ajudar

Aqui, Renato refere-se ao uso e não uso de drogas, fala da influência que Dado cometia, com outros (viciou os seus primos...). Renato de uma certa forma, mostra como é incerto o caminho dos drogados, dizendo de seus o destino de suas idas, fala das veias, se referindo à Heroína, da mesma forma, dizendo sobre as "agulha entrarem" (usar agulhas no corpo) e fala que ele já não conversa, e não fala mais, e que não existe diálogo, em outras palavras, e sim, a droga para o consolar.

Cadê o bronze no corpo, os olhos azuis?
O seu corpo tem marca de sangue e pus
Você nem sabe se é março ou fevereiro
Dado, Dado, Dado
O que fizeram com você?
Dado, Dado, Dado
O que fizeram com você?
Dado, Dado, Dado
O que fizeram com você?
Dado, Dado, Dado
O que fizeram com você?

Aqui, Renato faz a referência às influências, possivelmente. Pelo fato de dizer: "O que fizeram com você?", mas é claro, ninguém entra acompanhado. Tem que ter a vontade também.

Cadê os seus planos, cadê as meninas?
Você agora enche a cara e cai pelas esquinas
Eu quero você, mas não vou lhe ajudar
Não me peça dinheiro, não vou lhe entregar
Cadê a criança? Meu primo e irmão
Se perdeu por aí, com seringas na mão

Essa parte, podemos ver que ele já abandonou seus interesses pelo futuro, e os interesses pelas meninas. Fala que agora, ele "enche a cara e cai pelas esquinas", um ato de bêbados. Renato, fala a frase mais interessante à ser analisada nessa musica: "Eu quero você, mas não vou lhe ajudar", ou seja, ele quer ele recuperado, mas não vai ajuda-lo e completa "Não me peça dinheiro, não vou lhe entregar", a ajuda que ele diz, é essa, a financeira. Renato quer ver ele bem, mas pra poder ajudar, ele teria que dar dinheiro, e o dinheiro, como ele mesmo sabia, voltaria para as drogas. Ele fala do antigo "Dado", criança, primo e irmão, e diz que esse Dado, se perdeu com seringas na mão, ou seja, o antigo Dado, se perdeu com as drogas.

Dado, Dado, Dado
O que fizeram com você?
Dado, Dado, Dado
O que fizeram com você?
Dado, Dado, Dado
O que fizeram com você?
Dado, Dado, Dado

O que fizeram com você?

Aqui Renato repete a frase "O que fizeram com você", dizendo, como mencionado, a influência, mas também como ele mesmo provou ser, Dado entrou por esse caminho, além da influência, por seu próprio interesse e vontade.


Analisado e escrito por: Eduardo Rezende



Do disco "Uma Outra Estação", Comédia Romântica traz com ela, assim como grande parte da temática do disco, uma letra reflexiva. Meio confusa, Comédia Romântica fala sobre amizade e amor, sempre, de um jeitinho Renato Russo. Segue-se abaixo a interpretação:


Acho que só agora eu começo a perceber
Tudo o que você me disse
Pelo menos o que lembro que aprendi com você
Está realmente certo.


Renato diz aqui, que somente nesse instante, ele percebe que as coisas que a terceira pessoa lhe disse, as coisas que ele realmente lembra dela ter dito, está de fato, correta.

Bem mais certo do que eu queria acreditar
Você gosta mesmo de mim
Se arriscando a me perder assim
Ao me explicar o que eu não quero ouvir.


Aqui, vemos que ele percebeu que o amor que a terceira pessoa lhe tinha era muito maior do que ele acreditava, e que ela se arrisca em perdê-lo, dizendo coisas que ele não gostaria de ouvir. 
Ainda não estou pronto pra saber a verdade
Ou não estava até uma estação atrás.


Aqui, completa o que foi dito. Ela se arriscava dizendo coisas que ele não gostaria de saber, e aqui, ele diz que não estava preparado para essa "verdade" que ela dizia. Diz que não está pronto e que não estava ainda "na estação passada", ou seja, não estava fazia um tempo.
Acho que só agora eu começo a ver
Que tudo que você me disse
É o que você gostaria que tivessem dito pra você


Aqui, vemos a crítica que ele deixa.
Se diz que todas as palavras que a terceira pessoa lhe disse, eram as palavras que ela gostaria de ter recebido. Ela dava pra poder ter, e muitas vezes não tinha.
Se o tempo pudesse voltar dessa vez.
Sou eu mesmo e serei eu mesmo então
E não há nada de errado comigo, não
Não, não, não


Renato aqui, diz que não mudará, continuará o mesmo, e sobre a música deixou o comentário: ""Valeu a intenção, mas eu sou desse jeito mesmo, não há muita coisa a se fazer". É exatamente isso. Ele não mudaria porque sabia que não estava errado.

Não preciso de modelos, Não preciso de heróis
Eu tenho meus amigos, E quando a vida dói
Eu tento me concentrar, N'um caminho fácil
Sou eu mesmo e serei eu mesmo então
E eu queria que o tempo
Pudesse voltar dessa vez


Renato deixa sua mensagem final dizendo que não precisa de modelos (coisas corretas), nem heróis, que ele tem seus amigos, e que quando sua vida se torna difícil, tenta se concentrar num caminho fácil.
Completa dizendo que é ele mesmo, e continuará sendo o mesmo, e que gostaria que o tempo pudesse voltar (talvez pra melhorar a situação).



Interpretado e analisado por: Eduardo Rezende



O que mais torna as músicas da Legião interessantes, com toda a certeza, é que elas não são apenas voltadas aos romances, ao dia-a-dia, aos amigos, às festas, às bebidas e drogas, ao governo e outros tantos tipos de classificação que as músicas também tem. Legião sempre consegue achar a música certa para o teu momento, seja ele de sol, seja ele de chuva, seja ele na sua casa, seja ele nas ruas, encarando a sociedade.
Clarisse, é uma das músicas que poderia ser considerada arquivo da caixa cuja classificação seria "triste", porém, ela não é apenas isso. Clarisse é a realidade, é um protesto. Clarisse é uma grande obra, relatando a vida do Renato, e da própria personagem:

Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.

Aqui, Renato ainda não entrou em Clarisse, não fala ainda da vida dela, cita apenas, um menino que foi internado numa clínica (como ele próprio) e que os motivos foram a falta de atenção dos amigos (que o levaram às drogas, talvez?) e também das lembranças tristes.
Creio que essa parte, Renato se refira à sua própria história.

E Clarisse está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.

Aqui, começa a vida de Clarisse.
Diz Renato que ela está trancada no banheiro, que ela se corta. Essa parte creio, se refere muito ao desejo de  já não querer viver mais. Clarisse, como será citado, tem depressão, e vendo sua vida, podemos entender melhor. 
Quando se diz: "Viver em dor, o que ninguém entende/Tentar ser forte a todo e cada amanhecer", mostra como ela se sente e como ela faz. Ela vive em dor, ninguém entende sua vida, e ela mesmo assim, tem que tentar ser forte no outro dia para assim, poder viver tudo novamente.

Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende

Aqui, Renato fala das amigas de Clarisse que "já se foram" em ocorrências policiais. E então cita frases de mesmo efeito nessa parte, ele diz de pessoas que tentam ser boas, ajudando ela, tentando entender, e que na verdade, é falso, eles nunca conseguirão entender, eles não sabem, não entendem.

E quando os antidepressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarisse sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte
Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo

Aqui diz sobre o modo de vida de Clarisse. Os antidepressivos, os calmantes, as alucinações, o medo e a estranha sensação de morte.
Esse vazio, essa parte não preenchida, essa parte triste de sua vida, ela conhece. Nessa parte, diz sobre seus tratamentos, que ela volta ("De quando em quando...") mas que sempre, continua vendo tudo de apenas um modo, que o mundo sempre continua o mesmo.

O medo de voltar pra casa à noite
Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto

Nessa parte, Renato complementa a parta anterior.
Vemos que o medo de Clarisse é voltar à noite, ela tem medo dos homens, que se "esfregam" nela (estupros e abusos), nos caminhos da escola. Vemos aqui, que Clarisse estuda, e leva a vida normal, nessa parte.
Creio que aqui, Renato fala tanto dele, como de Clarisse. A falta de esperança, o tormento de saber de injustiças e incertezas e claro, negatividades. 
Então fala uma frase que complementará a ultima frase da música: "E que estamos destruindo o futuro/E que a maldade mora sempre aqui por perto", vemos que ele fala do modo que levamos o Hoje. Que agora, no presente, estamos destruindo o futuro, estamos acabando com o amanhã, tanto com nosso futuro, como também, o futuro de Clarisse e tantas outras meninas ou meninos, que são internados em clínicas, que são usados por homens que se esfregam nojentos, crianças que sentem a estranha essência do que é a morte, que desde cedo, tem que entrar pra esse mundo.

A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço

Aqui, Renato passa sua mensagem final e protesto para a Sociedade, como todas as músicas.
Como ele diz na música sobre a vida de Clarisse, aqui, ele fala sobre as mulheres, fala desse mundo que vivemos, e fala como Clarisse leva tudo.
Clarisse já conhece o mundo, se tranca em seu quarto, fica em seu mundo, com o pouco que lhe pertence.

Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito
Clarisse só tem 14 anos...

A ultima parte, com certeza a que mais nos traz algo diferente.
Renato finaliza dizendo o sentimento dele e de Clarisse perante à todos. Ele se compara à um pássaro, que é trancado na gaiola e vê que todos estão ao seu redor esperando que ele cante como antes (de quando era livre), novamente diz que é um pássaro, e que o trancam na gaiola, e diz a mensagem de esperança pra ele e para Clarisse: Um dia conseguirei existir, e voarei pelo caminho mais bonito.
A música é finalizada com a frase mais tensa e incompleta na música: "Clarisse só tem 14 anos...". Ou seja, Clarisse já passou por coisas que muitos de maior idade jamais sonharam passar. Clarisse tem muita experiência pra pouca idade. 



Analisado e Escrito por: Eduardo Rezende



Do disco que leva o mesmo nome da banda, "Legião Urbana", Baader-Meinhof Blues é a oitava faixa e é uma das quais fala da violência e expõe muito o lado social e a opinião do próprio Renato à respeito da Sociedade.
Para sabermos melhor, Baader-Meinhof Gang ou Facção Exército Vermelho foi uma organização revolucionária alemã de esquerda fundada em 1970, justamente por isso, a música leva o nome.


A violência é tão fascinante
E nossas vidas são tão normais
E você passa de noite e sempre vê
Apartamentos acesos
Tudo parece ser tão real
Mas você viu esse filme também.

Essa parte da música mostra a monotonia do dia-a-dia da sociedade.
Essa parte, lida com a violência como se fosse algo normal. Lida com ela, como se ela fosse algo de sempre e ele, diz que a terceira pessoa sempre passa pela noite e observa os apartamentos acesos, creio que aqui se refere também à vontade de saber do outro, ela observa por curiosidade, pra saber como eles, os que tem apartamentos acesos, agem ou pensam.

Andando nas ruas
Pensei que podia ouvir
Alguém me chamando
Dizendo meu nome.

Ele diz que anda nas ruas, e pensa estar sendo vítima de atenção, mas sente que isso pode ser engano.

Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.

Aqui o Renato pode tanto se referir à sentimentos dele, personagem, para uma terceira pessoa, quanto também pelo conhecimento - Ele se sente vazio, talvez, não tenha cultura e não sente que o conhecimento lhe é passado. Fala aqui, das frases que todos estamos cansados de ouvir "Amar ao próximo" todos sabemos que é importante, mas todos sabemos que não fazem efeito, e ainda diz, que amar ao próximo é demodé, ultrapassado. Não o ato de amar, mas o ato da frase.

Essa justiça desafinada
É tão humana e tão errada
Nós assistimos televisão também
Qual é a diferença?

Aqui, ele é direto ao governo. Ele diz que a justiça é desafinada, diz que ela é humana (voltada aos homens) porém errada. Diz que eles também assistem televisão e pergunta qual seria a diferença. Creio que a pergunta, venha a existir, para passar a mensagem da influência da mídia na vida das pessoas.

Não estatize meus sentimentos
Pra seu governo,
O meu estado é independente.

Pede para que não estatizem os sentimentos dele, que não façam seus sentimentos virarem algo do Governo, possivelmente. E diz, que pro "governo" das pessoas, o "estado" dele é independente - o "governo" refere-se à "pra tua informação..." e o "estado" refere-se ao que ele sente.

Já estou cheio de me sentir vazio
Meu corpo é quente e estou sentindo frio
Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber
Afinal, amar o próximo é tão demodé.



(Coloquei o vídeo do Acústico MTV, onde eles também cantam a música)
Analisado e escrito por: Eduardo Rezende