Fábrica, em minha opinião, é uma das músicas mais irônicas e realistas que Renato já fez.
Sendo de sucesso grande entre os legionários, é uma letra fácil e simples, que nos mostra a realidade das fábricas e cidades, do preço e das causas que as fábricas nos trazem. Fala sobre o direito dos trabalhadores, e sempre que ouço a música, imagino uma revolução acontecendo. Uma revolução por trabalho honesto, que faria muitos e muitos trabalhadores se rebelarem contra seus patrões. Segue-se a interpretação:

Nosso dia vai chegar,
Teremos nossa vez.
Não é pedir demais:
Quero justiça,
Quero trabalhar em paz.
Não é muito o que lhe peço -
Eu quero um trabalho honesto
Em vez de escravidão.

Aqui, como eu disse primeiramente, é como se fossem trabalhadores e operários falando para seus patrões e responsáveis, empresários e pessoas donas de outras. Eles começam dizendo que o "dia deles chegará", que a vez de vencer deles, está próxima, e que eles terão a vez deles. Vemos a menção dos "Direitos Humanos" (Nem direitos e nem humanos), quando é dito "Não é pedir demais/Quero justiça", é como se eles buscassem seus direitos por trabalho, pois continuam dizendo que querem trabalhar em paz, e pedem novamente (de um modo sarcástico) que querem trabalho honesto e então dizem a palavra que pode nos mostrar a total realidade: Escravidão. 

Deve haver algum lugar
Onde o mais forte
Não consegue escravizar
Quem não tem chance.

Aqui, é quando dizem sobre as expectativas e os pensamentos sobre novos empregos e serviços, pois é exatamente assim que é a mudança de emprego: a imaginação do próximo emprego, como sendo melhor em todos os pontos. Aqui, no caso, o ponto seria a escravidão e o modo de serviço. Quem escraviza, seriam os patrões, e os escravizados, os sem oportunidades que pegam o trabalho e viram máquinas.

De onde vem a indiferença
Temperada a ferro e fogo?
Quem guarda os portões da fábrica?

Aqui, fala do desprezo de patrões, do modo indiferente que eles veem o trabalho árduo dos operários da Fábrica. O Ferro e Fogo pode tanto ser mostrado como o "modo ferro-e-fogo", como também, dar uma insinuação do estilo da Fábrica.
A Frase dos porteiros da Fábrica, eu creio que seja pra insinuar que são eles mesmos quem podem abrir e fechar as portas das fábricas.

O céu já foi azul, mas agora é cinza
O que era verde aqui já não existe mais.
Quem me dera acreditar
Que não acontece nada de tanto brincar com fogo,
Que venha o fogo então.

Aqui, é mostrado a realidade da Fábrica e do que ela pode causar, o céu cinza, as florestas desmatadas, todas colocadas com ironia.
Então, Renato diz: "Quem me dera acreditar/Que não acontece nada..." - Isso refere-se ao medo deles de fazer algo e do que pode ser vindo dessa ação. A Reação de tal ato, enquanto "De tanto brincar com fogo/Que venha o fogo então", refira-se ao que eles podem fazer. Eles foram brinquedos, e agora, os brinquedos transformam-se.

Esse ar deixou minha vista cansada,
Nada demais.

Aqui, com certeza, é a parte mais irônica da música:
Renato diz que sente a vista cansada por causa do ar poluído da Fábrica. E como descaso de seus patrões, recebe a resposta: "Nada demais...", o que muitas vezes ocorre, pois os operários são máquinas, enquanto servem ao patrão, não tem valor algum, pois eles dão seu bruto trabalho, e o que ganham, não se compara ao que o outro ganha, em suas costas, o outro, que não respira o ar poluído, que não vê árvores caídas e a realidade das Fábricas. 


Sem dúvidas, Fábrica é uma das minhas músicas preferidas, e espero que tenham gostado da interpretação. 
Analisado e interpretado por: Eduardo Rezende


7 comentários to "Interpretação: Fábrica"

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