A Via Láctea é uma das músicas mais tristes da Legião Urbana. Do disco "A Tempestade", A Via Láctea, assim como grande parte do disco, é bem triste. A música fala sobre a AIDS e de todo um pensamento baseado nisso, assim como a solidão, depressão, etc. Segue-se abaixo a letra e a interpretação:

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho 
Quando tudo está perdido 
Sempre existe uma luz...

Essas frases são sempre ditas por todos. Quando tudo está perdido, quando tudo está errado, sempre haverá luz e salvação. Sempre nas trevas, haverá luz... São frases feitas, que a própria sociedade sempre nos põe e nos dá... "Não fique assim, não vale a pena...", "Veja por outro lado... sempre tem um lado diferente..." etc.

Mas não me diga isso...
Hoje a tristeza
Não é passageira
Hoje fiquei com febre
A tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela
Parecerá uma lágrima...

Ele pede pra não dizerem algo para ele...
Renato diz que a tristeza já não é passageira, ou seja, ela já faz parte, já não passa, fica... Diz que ficou com febre a tarde inteira, um dos sintomas da AIDS.
Nessa parte, Renato nos dá uma frase triste, porém, perfeita: "E quando chegar a noite, cada estrela parecerá uma lágrima". Ou seja, na noite, o momento de tristeza e de escuridão, cada estrela (no nosso vasto universo, imagine, quantas estrelas não há?) parecerá uma lágrima...

Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza
Das coisas com humor...
Mas não me diga isso...

Ele diz que gostaria de ser como os outros (podemos crer que possam ser tanto as pessoas não doentes, quanto os doentes que vêem tudo de um modo diferente - diferente dele). Aqui nos passa a ideia de que ele gostaria de fingir estar sempre bem, ou seja, não se esforça para parecer bem, que gostaria de ver as coisas de um modo diferente, e pede novamente, para não dizerem algo. O que será isso?

É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto 

Isso passa 
Amanhã é um outro dia 
Não é?...

Ele diz, possivelmente às pessoas que ficam com ele, que isso passará e que é uma fase, pede para o deixar quieto e nos dá a ideia de que, "Amanhã é um outro dia", ou seja, "amanhã posso estar feliz, diferente de hoje", e pede confirmação do que diz, falando "não é?".

Eu nem sei porque
Me sinto assim 
Vem de repente um anjo 
Triste perto de mim...

Ele diz que nem sabe porque se sente assim (triste, solitário e infeliz) e fala que de repente, vem um anjo triste perto dele. O que seria um anjo triste se não a própria morte?

E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça 
Não me dê atenção 
Mas obrigado 
Por pensar em mim...

Ele insiste novamente na febre, como se ela o atrapalhasse. Ele fala de um sorriso sem graça, talvez, um sorriso pra fingir que está feliz, sendo esse sorriso, uma imagem falsa...
Ele pede para não lhe darem atenção (deixarem ele em paz) e agradece por eles, seus amigos, familiares, etc., pensarem nele...

Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz 
Quando tudo está perdido 
Sempre existe um caminho...

Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho 
Quando tudo está perdido 
Não quero mais ser 
Quem eu sou...

Aqui podemos ver que ele muda a frase. Ele diz que quando tudo está perdido, ele se sente só, e não, que há uma luz. Ele se sente só e diz que não quer mais ser quem é, talvez se sinta fraco e incapaz de enfrentar o problema, crendo que não haverá uma solução ou luz.

Mas não me diga isso
Não me dê atenção 
E obrigado 
Por pensar em mim...

Ele agradece novamente por pensarem nele e pede novamente para não darem à ele atenção e para não lhe dizer ou dar uma notícia. Será que essa notícia é o resultado de testes, comprovando o que ele já sabe, que ele tem AIDS?

Não me diga isso
Não me dê atenção 
E obrigado 
Por pensar em mim...

(interpretado)

A Via Láctea é uma das mais belas, inteligentes e bem montadas letras da Legião. Sugere muitos meios de ser interpretados, apesar de ter feito para o lado da AIDS, doença que o matou em outubro de 1996.


Curiosidade: A Via Láctea segundo a mitologia grega, é a passagem da Terra para os Céus, feita por Deuses para acessar os seus palácios. Seria isso, também, o significado de: "Quando tudo está perdido, sempre existe um caminho". Afinal, os deuses se refugiavam em seus palácios, e também, claro, Renato poderia estar dando um "recado" deixando claro, que tudo está perdido, e quando a vida está perdida, há apenas um caminho para ela, Via Láctea, a passagem da Terra para os Céus, o que ocorreu com ele, um mês depois do lançamento desse disco. 


Interpretado e escrito por: Eduardo Rezende





Uma das músicas mais difíceis da Legião Urbana para se interpretar, sem dúvida é "A Montanha Mágica". Na música, Renato quis retratar todo um lado dos usuários de drogas, além de uma auto-reflexão e uma possível crise existencial. É uma letra complicada e com um ritmo um pouco pesado, mas não deixa de ser interessante e inteligente, como todas as músicas da Legião, ela te passa uma moral interessante, e como em parte delas, com um significado simbólico muito grande, que muitas vezes dificulta e acaba distorcendo o real sentido.
Segue-se abaixo, a letra e a interpretação da música:


Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde

Ele é o próprio líder, ou seja, não obedece ninguém, ele se manda. "Ando em Círculos", aqui pode mostrar um lado do efeito das drogas, causando nele ações estranhas, ou o gesto de "pensar" - andando em círculos para pensar, não saindo do lugar. A Vida toda dele, espera algo dele, ou seja, todos e ele mesmo, espera uma melhora vinda da parte dele. Ele se "equilibra entre dias e noites" porque as drogas fazem isso... As drogas fazem as pessoas ficarem descontroladas e acordadas. Ele se equilibra, pendula em dias e noites.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal

Papoula da Índia é uma planta que é um dos ingredientes da droga "heroína". "És o que tenho de suave e me fazes tão mal" - É o que ele  tem de suave, calmo, relaxante, que o faz mal. As drogas são isso, são suaves e doces até o efeito passar, então ela lhe faz mal.

Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora

Essa parte, completa a parte anterior. "Ficou logo o que tinha ido embora" - Efeito. Ele está um pouco cansado, o efeito o deixou assim, e ele não sabe se essa necessidade de usar novamente e loucura por querer mais, termina logo. Realmente "Não há nada a fazer agora", afinal, ele já usou, e uma vez contaminado, sempre contaminado. O corpo pode não lembrar, mas a mente sempre o lembrará que ele usou esse meio.

Para que servem os anjos?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem

Essa parte, podemos ver o que ele pensa das drogas por um outro ângulo. Pra que servem os anjos? Eles te dão proteção, lhe dão e trazem a felicidade, são o simbolo de pureza e harmonia. Pra que eles servem, se ele tem a felicidade ao lado dele? O que é essa felicidade se não as drogas?

Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é por incidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais

Um outro vive a vida dele, ele sabe o que essa outra pessoa sente, sonha e pensa. Isso ocorre, porque ele mesmo é esse outro. Quando ele usa droga, ele vira um outro. Uma outra pessoa. Ele é uma cópia do que faz, pelo fato de sempre fazer o mesmo de sempre. A cada dia, ele é uma cópia do que ele era ontem. O que eles tem (usuários), é o que resta, pode ser tanto as drogas, quanto a moral. E estão querendo demais, o que reforça o lado das drogas e dependência delas.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
És o que tenho de suave
E me fazes tão mal
Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mais estou pronto prá mais uma
O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas

Existe um descontrole, o descontrole das drogas, que corrompe e cresce, aumenta. Pode até ser o descontrole das drogas, mas ele está novamente pronto, mesmo sabendo que isso o fará mal.
O que é que desvirtua e ensina? As drogas te desvirtuam, te fazem o mal, quanto ao "ensina", temos dois lados: O primeiro, ensina o que ocorrerá, mostra o que acontece, ou então ensina, como no caso do Renato, que usava as drogas (assim como muitos) para ter inspiração. Tudo isso, acarreta ao resultado da vida deles.

O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes
Agora só artesanato:
O resto são escombros

O mecanismo da amizade, o modo de funcionar, a lógica dela, a matemática dos amantes, talvez a mesma lógica. A amizade talvez seja programada, pode ser também o afeto pelas drogas da parte dos usuários, crendo que ela seja algo mecânico e amigo. ao mesmo temo, são amantes dela e obviamente, seguem a lógica do uso das drogas, o numero de vezes que foram amantes.

Mas, é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio 38

Ele deixa claro, que eles, usuários, não farão mal para ninguém, nem estão ali (usando droga) para isso, fazer mal. Cada líder com sua arma, o líder pode ser aqui um traficante (referindo-se as drogas) ou um político talvez... Cada crinça com seu canivete, a criança pode ser usuária de droga, ou então pode ser uma criança que trabalha com estas, sendo aqui, uma grande referência ao trabalho infantil e ao crime.

Minha papoula da Índia
Minha flor da Tailândia
Chega, vou mudar a minha vida
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol
Num copo d'água
Chega, agora ele mudará sua própria vida.

Ele da a ordem "deixa o copo encher até a borda" (e não descreve, como "deixo um copo encher até a borda"), "que eu quero um dia de sol, num copo d'água". Essa parte tem muitos e muitos modos de interpretar, e é bem difícil  creio que ele fez uma referencia aqui como: Com toda a vastidão de água para ele curtir num dia de sol, ele começa com simplicidade, em apenas um copo. Assim talvez, seja o modo que ele queira voltar a sua vida normal. Com simplicidade, de pouco em pouco...




A música é bem complexa, e tem todo um lado do Renato para si mesmo, e não somente para a sociedade, como muitas das músicas. "A Montanha Mágica" leva o nome, pelo fato de Renato ter lido o livro escrito por Thomas Mann, e por ter achado interessante talvez, colocou o nome da música, o mesmo nome do título da obra de 1924.

Analise e escrita: Eduardo Rezende 



A Dança é uma das músicas da Legião Urbana que mais se refere a atualidade e a sociedade. Diz muito sobre a juventude e o modo dela agir. Apesar de ser de 1985, do primeiro álbum da Legião (chamado "Legião Urbana"), é uma música que reflete a atualidade. Segue-se abaixo a interpretação com letra e vídeo:


Não sei o que é direito
Só vejo preconceito
E a sua roupa nova
É só uma roupa nova

A música é como se fosse o cantor (Renato Russo) falando para o típico jovem que ele quer passar a certa moral, ele diz: "Não sei o que é direito, só vejo preconceito" ou seja, não sabe o que é certo, só se vê preconceito. Ele se refere as roupas dizendo: "e a sua roupa nova, é só uma roupa nova" colocando uma certa continuação no preconceito ("E a sua..."), ele diz isso referindo-se que a roupa, não é nada de mais, é apenas uma roupa, não o faz melhor que ninguém, que é o ponto que chegaremos adiante.
 
Você não tem idéias
Pra acompanhar a moda
Tratando as meninas
Como se fossem lixo

Nessa parte vemos que ele segue apenas um tipo de moda passageira e que trata as meninas "como se fossem lixo", trata as garotas (possivelmente as com que se relaciona) como se fossem inferiores, como se fossem literalmente, lixo.

Ou então espécie rara
Só a você pertence
Ou então espécie rara
Que você não respeita

Essa parte, complementa a que já foi analisada. Ele trata as meninas como se fossem lixo. Ou então a espécie rara, que só à ele pertence. Ou então uma espécie rara, que ele não respeita. Ele quer tudo pra ele, "só à ele pertence" e ele não respeita o que é "dele". A "espécie rara" pode ser além das meninas, propriamente ditas, a própria sociedade ou pessoas que fazem partes de um grupo de amigos, dele, claro.

Ou então espécie rara
Que é só um objeto
Pra usar e jogar fora
Depois de ter prazer.

Ou então uma espécie rara que é somente um objeto, que ele usa e joga fora, depois de ter prazer. Ou seja: Depois que ele usou as pessoas, ele as descarta, deixa elas de lado, afinal, ele usa as pessoas, e quando tem ou consegue o que busca, já não necessita. Ele busca isso: Ter à todos e ter tudo.

Você é tão moderno
Se acha tão moderno
Mas é igual a seus pais

Ele é moderno. Ele vive na modernidade, e se acha "moderno", afinal, ele se veste e comporta como alguém que vive na modernidade, mas é igual aos pais, ultrapassado, de uma modernidade ultrapassada, digamos. Onde o que antigamente era bom, hoje já não é. Podemos usar a moda (propriamente dita na música) como exemplo - Um tempo é bom, no outro já se torna ridículo.

É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz.

Nessa parte vemos a opinião dele, diante de não apenas um, mas muitos jovens: "É só questão de idade/Passando dessa fase/Tanto fez e tanto faz" ou seja, é uma questão de idade, de fases, dessa época adolescente e que passando dessa fase, dessa "etapa" tudo mudará, "tanto fez e tanto faz", tudo perderá seus valores e o que era legal, torna-se ridículo, para um futuro adulto.

Você com as suas drogas
E as suas teorias
E a sua rebeldia
E a sua solidão

Essa parte é como se tudo fosse "mandado" na cara do jovem: "Voce com suas drogas" se referindo possivelmente claro, às drogas, e as bebidas. E as "teorias" que ele possa ter montado e a "rebeldia" do modo dele agir... Tudo isso, gera à "solidão". Ele tem muitos ao redor, mas se sente sozinho e age sozinho.

Vive com seus excessos
Mas não tem mais dinheiro
Pra comprar outra fuga
Sair de casa então

Ele vive com os excessos desse mundo capitalista. Vive comprando e consumindo coisas em excessos, uma vez que ele só tem "roupas novas", isso acarreta a falta do dinheiro, o que o leva à não comprar "outra fuga" - outra festa, outra saída (como é dito), outras bebidas ou drogas...

Então é outra festa
É outra sexta-feira
Que se dane o futuro
Você tem a vida inteira

Aqui ele continua dizendo a vida do garoto: É outra festa, mais uma sexta feira (de tantas), e mostra o ponto de vista do menino, ele continua dizendo tudo na "cara" dele: "Que se dane o futuro/Voce tem a vida inteira" provavelmente é esse o pensamento do garoto, afinal, ele vive com drogas, bebidas, sexo, festas... Ele vive de um mundo sem futuro, e não pensa nesse, vive o agora, e "que se dane" o futuro.

Você é tão esperto
Você está tão certo
Mas você nunca dançou
Com ódio de verdade.

Aqui diz o que ele pensa: ele se acha esperto, e se acha sempre certo, porém, ele nunca "dançou com ódio de verdade". Mas o que seria o "dançar" com ódio de verdade, uma vez que ele é um menino que vive em brigas, revoltado? Simples, ele não é assim! Ele veste uma máscara pra poder se aparecer, assim como veste as marcas famosas de roupas novas, para poder ingressar num grupo. O "Dançar com ódio de verdade" seria o "viver em risco" com real perigo, com real noção de perigo, mostrando que na verdade, ele não vive em perigos.

Você é tão esperto
Você está tão certo
Que você nunca vai errar

Aqui repete o pensamento anterior: ele se acha esperto e se acha certo, pensando que nunca vai errar.

Mas a vida deixa marcas
Tenha cuidado
Se um dia você dançar.

Aqui é o complemento do que é dito anteriormente:
Ele dá uma lição de moral no garoto, mostrando "A vida deixa marcas" dizendo pra ele que tudo o que ele fizer, um dia de certa forma, retornará para ele, e dá o recado: "Tenha cuidado/Se um dia você dançar", como se ele estivesse dizendo a ele, que se um dia ele realmente quiser viver em riscos, viver no que ele diz que vive, ele deve tomar cuidado, afinal, de certa forma, esse ato retornará de certa forma.

Nós somos tão modernos
Só não somos sinceros
Nos escondemos mais e mais
É só questão de idade
Passando dessa fase
Tanto fez e tanto faz.

Aqui nos mostra o pensamento deles: "Nós somos tão modernos/Só não somos sinceros". Eles vivem na modernidade, mas não usam a sinceridade, eles "se escondem mais e mais", sempre estão vestindo máscaras, vivendo da mentira. É complementado: "É só questão de idade/Passando dessa fase/Tanto fez e tanto faz" completando a falta de sinceridade e mentira onde eles vivem. Que um dia isso acabará, quando eles crescerem e se tornarem adultos, enquanto isso, são jovens que ainda seguem o:  "tanto fez e tanto faz". 
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A música apesar de já se ter anos desde sua composição é bem atual, relata muito esse lado jovem de "não estar nem aí com o que virá", esse lado de alguns jovens que usam o "sexo, drogas, bebidas etc.". A música por mais antiga que seja, é uma das muitas que sempre serão atuais. Ela nos dá uma moral muito importante nessa questão de influência da mídia, de marcas. Nos mostra muito esse lado de pessoas que usam outras como objetos e claro, de pessoas que vivem sem compromisso com tudo e com todos. 


Interpretação, escrita e análise: Eduardo Rezende


A Cruz e a Espada é uma das músicas de parceria entre Legião Urbana e outras bandas, no caso, a RPM (Revolução Por Minuto - Banda de rock dos anos 80, talvez a mais popular da época), escrita por Paulo Ricardo (cantor da banda), que resolveu fazer parceria com Renato Russo, por esse motivo, a música e sua letra se torna presente nas listas de letras da Legião Urbana. A música de linguagem simples é fácil de ser interpretada por se passar em uma história fácil e presente:

Havia um tempo, em que eu vivia
Um sentimento quase infantil
Havia o medo e a timidez
Todo um lado que você nunca viu

Havia um tempo, em que ele (personagem) vivia um sentimento infantil, bobo.
Um sentimento de medo e timidez, um lado, que a amada ou parceira, nunca havia percebido, ou como minha assistente Letícia disse, um amor platônico.

Agora eu vejo, aquele beijo
Era mesmo o fim
Era o começo do meu desejo
Se perdeu de mim

Agora ele vê, que o beijo era o real fim.
Percebe que o desejo que havia começado dentro dele, se perde (junto ao fim que veio com o beijo). Ou então que ele pode ter sido traído, vendo um beijo, que finaliza uma relação e começa outra.

E agora eu ando
Correndo tanto
Procurando aquele novo lugar
Aquela festa
O que me resta
Encontrar alguém legal pra ficar

Agora o garoto procura aquele lugar novo, uma festa em que ele possa "ficar" (da linguagem adolescente) com alguém.

Agora eu vejo, aquele beijo
Era mesmo o fim
Era o começo do meu desejo
Se perdeu de mim 

(Interpretado)

E agora é tarde
Acordo tarde
Do meu lado alguém que eu nem conhecia
Outra criança adulterada
Pelos anos que a pintura escondia

Nessa parte, ele diz que é tarde (no sentido de busca e no sentido de hora), e que ao lado dele, há alguém que ele nem conhece, ou seja, alguém que ele fez sexo e acordou ao lado, alguém que ele simplesmente conheceu e se precipitou em "ir pra a cama". Segundo ele "outra" criança adulterada, mudada "pelos anos que a pintura escondia". Ela foi mudada pelos anos que foram tapados por roupas, maquiagens, acessórios... Por objetos que fizeram uma jovem, transformar-se em adulta.
Agora eu vejo, aquele beijo
Era o fim, o fim
Era o começo do meu desejo
Se perdeu de mim 

(Interpretado)


A música é fácil de interpretar, por ser de uma linguagem simples, nos passa a imagem de uma realidade, de jovens que se passam por adultas e nos dá a visão do que aconteceu com o personagem.
A Cruz e a Espada se refere "Estar entre a Cruz e a Espada", que vem de ditados desde a Idade Média, onde voce ia ou pela Cruz, por bem, ou pela Espada, por mal. Mostra a Indecisão, ao mesmo tempo decidida, forçada, um caminho sem saída.

Escrito e Análisado por : Eduardo Rezende