Desculpando-me pelo atraso de posts, presenteio os leitores com a melhor música da Legião: Giz.
Giz é aquela música que nos faz lembrar de tudo e de todos que deixamos, é aquela que nos lembra, que nos deixa felizes, que nos mostra a simplicidade de uma infância, que pode se encaixar à nossa, mas que é de propriedade do autor, o gênio, Renato Russo.
Giz como Renato diz em 1994, é "completinha e perfeitinha", é aquela música que tem a voz suave, o ritmo agradável, e uma letra mais do que linda. É sem dúvida, uma das minhas preferidas. Segue-se a interpretação:

E mesmo sem te ver
Acho até que estou indo bem
Só apareço, por assim dizer
Quando convém aparecer
Ou quando quero
Quando quero

Giz, creio eu, nos possibilita a interpretação em dois lados: Um lado amoroso, e um lado de saudades pelo tempo que ja se foi. Eu gosto de levar para o lado infantil, mas (como em muitas outras), é necessário crer no outro modo, como aqui, que temos a impressão de que Renato pode se declarar para alguém, pra algum amor passado.

Desenho toda a calçada
Acaba o giz, tem tijolo de construção
Eu rabisco o sol que a chuva apagou
Quero que saibas que me lembro
Queria até que pudesses me ver
És parte ainda do que me faz forte
E, pra ser honesto,
Só um pouquinho infeliz...

Aqui, Renato diz sobre a sua infância: Ele desenha em toda a calçada, e quando se acaba o giz, tem tijolo de construção, aqui, é levado pro lado do improviso. Ele rabisca o sol, que a chuva apagou, claro que Renato quis mostrar que ele desenhava o sol e tudo mais, mas podemos crer também, na esperança que ele mostra: ele se vira, cria o próprio sol, mesmo quando esse não está ali.
Aqui, creio eu, mostra aquela parte amorosa, ele diz pra essa terceira pessoa, que ela ainda é parte que lhe faz forte, e que desejaria vê-la. Podemos crer, que esse "amor", seria um amor de infância, quando namorar, ainda é brincar com alguém e ter leve atração (pois é a idade dos brinquedos ainda).
Renato aqui, fala tanto do amor, quanto da infância.

Mas tudo bem
Tudo bem, tudo bem...
Lá vem, lá vem, lá vem
De novo...
Acho que estou gostando de alguém
E é de ti que não me esquecerei

 Aqui, creio que Renato quer provar pra ele e pra todos que tudo está bem.
O "lá vem de novo", refere-se aos sentimentos de infância, pois é nesta que ele "acha" está gostando de alguém, trazendo do passado, a lembrança, e provando pra si no presente, que nunca se esquecerá de tal pessoa.

(Quando quero....
Quando quero...
Quando quero...
Eu rabisco o sol que a chuva apagou...
Acho que estou gostando de alguém...)

Sempre imagino essa parte (a que com certeza, deixa a música ainda mais perfeita), como ecos, ecos esses, que podem vir da infância (ouça a música e verá).
Ele novamente diz que rabisca o chão, e que sente-se gostar de alguém, os sentimentos da infância, como disse anteriormente.

Renato afirma, em 1994: "Essa é a música que eu mais gosto, é a letra que eu mais gosto, é a coisa que eu mais fico feliz de ter conseguido fazer."



Coloquei o video ao vivo, porque com toda a certeza, é ainda mais belo.
Renato aqui, faz uma letra mais do que perfeita, e acompanhando ele, Bonfá e Dado colocam o ritmo também mais que perfeito. Essa letra diz sobre mim, analisei ela conforme sempre a encarei e como sempre encaixei ela à mim.
Espero que gostem, e comentem.

Análise e interpretação: Eduardo Rezende


23 comentários to "Interpretação: Giz"

  • Até que enfim, senhor Eduardo! Já estava ficando sem ter nada pra ler na net.
    Quanto à música, eu a acho bem clara, ainda mais depois de todas as declarações do Renato. Não tenho muito pra dizer sobre "Giz", ela é só aquela música que me faz ter vontade de sair correndo por aí. É linda, sempre será!

  • É mesmo minha cara! demorei muito... rs. Ando sem tempo. Mas muito obrigado pela passagem. Quanto a letra, eu concordo com você. Dá vontade de libertar o espirito "criança" que nos habita e que deixou de brincar pra dar espaço aos novos adultos... Dá vontade de dias de chuva... rs. Renato era fantástico, e a Letra é e sempre será linda (e perfeita).

  • Muito legal seu blog, muito bom os textos bem longe de querer "mudar sua interpretação" mas acho relevante uma informação, essa coisa de desenhar sol na calçada com giz era bem comum no Rio da minha infância, quando tinha algum evento ao ar livre a chovia tinha essa "simpatia" para que parasse de chover, e não tivesse giz valia desenhar com qualquer coisa até tijolo de construção, assim entendo que isso represente literalmente que de fato ele quer que a chuva passe e o sol volte a brilhar.

  • Olá Marcelo! Muito obrigado por comentar.
    Então ai, o fato é mostrado, e como diz Renato, isso seria de um "Rio de Janeiro que já foi", não o tempo, não a qualidade, mas o "Rio de Janeiro" de sua infância.
    Volte sempre!

  • Aqui em Sampa na minha infância, brincavamos muito de desenhar no asfalto com o tijolo.
    Faziamos desde sol,amarelinha ate placar de resultados de jogos. Abs,Andrea

  • Nada melhor do que "Giz" pra nos lembrar da criança que rabisca em nosso interior, a saudade dos dias de chuva, das brincadeiras e de um tempo, que como Renato diz "já se foi e não volta mais".

  • Amei muito!!! Vou recomendar na minha page!!
    Faz "Teatro dos Vampiros" e "Mais do mesmo" por favor!!

  • *"Teatro dos vampiros" e "Depois do começo"

  • Eu agradeço querida Manuela.
    Teatro dos Vampiros já foi postado, Mais do Mesmo também. Depois do Começo ainda não foi pra lista, mas como sigo ordem alfabética, farei o mesmo que fiz com Acrilic On Canvas. Postarei no meio de outras letras. Muito obrigado, volte sempre!

  • Realmente uma bela canção. Nos traz a nostalgia rasgando o presente, um sentimento que estava quieto, à realidade ..

  • Posso afirmar sem sombra de dúvidas que essa é a minha música preferida. Me vejo nela, pois quando era criança adorava rabiscar o sol na calçada, e sempre que a chuva o apagava, redesenhava novamente.

  • Maravilha!

  • Linda musica, linda interpretação.
    Nada mais a dizer.

  • Perfeita!

  • Parabéns... muito bom!!!!

  • Parabéns... muito bom!!!!

  • Sei que já está um pouquinho super tarde demais , mas... Já pensou que pode muito bem ser uma carta não para um possível interesse amoroso do passado, mas para a própria mãe? Afinal, elas nunca vão deixar de nos acompanhar, mesmo que só na memória, e sempre sabem ou procuram saber de tudo, até de quem você gosta...

  • Linda a melodia tb

  • Eu sei que pode parecer estranho.. mas quando ouço essa música, parece que o personagem perdeu o seu amor (traduzindo: morreu!!).. E ele tenta seguir em frente (às vezes se apaixona, mas nunca vai esquecê-la)...

  • A primeira parte...
    E mesmo sem te ver
    Acho até que estou indo bem
    Só apareço, por assim dizer
    Quando convém aparecer
    Ou quando quero
    Quando quero

    Parece uma pessoa que visita o túmulo do seu amor...

  • Minha interpretação é que fala da época da infância que a gente não precisava viver os preconceitos e responsabilidades. Não precisávamos ter alguém para ser feliz. Estávamos num lugar por pura vontade, brincávamos com alguém se tivéssemos vontade. Podíamos usar tijolos de construção como improviso sem nos preocupar com o que o outro ia falar. Se a chuva apagasse nosso desenho, a gente ia lá e fazia de novo. Quando adultos, o que destrói nossos planos, destrói a gente, acaba conosco. E a gente sempre estava gostando de todos os meninos, toda vez, a gente não definia o que realmente era amor ou gostar. É uma inicência perdida. Melhor ser inocente do que sobreviver a muitas maldades do mundo.

  • Boa.... xará também amo essa música..sds Renato...!

  • sua interpretação é perfeita!!! Nos faz enxergar o que ele quis dizer é explica nas melhores palavras o que não conseguimos expressar

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