Bem critica, "Mais do Mesmo" foi apresentada primeiramente ao público legionário no terceiro álbum da Legião, "Que País É Este".
Reapresentada no "Música para Acampamentos" (segunda faixa do segundo disco), e no Acústico MTV (terceira faixa , antecedendo "Pais e Filhos"), a música carrega uma mensagem crítica, direta e sem tanto simbolismo, levando ao público mensagens de diferença social em quase quatro minutos (quando levada em sua versão mais famosa, o Acústico MTV).
Segue-se a análise da letra:

Ei menino branco o que é que você faz aqui
Subindo o morro pra tentar se divertir
Mas já disse que não tem
E você ainda quer mais
Por que você não me deixa em paz?

Aqui, vemos um preconceito vindo de uma forma diferente. Um preconceito que já está encarnado na sociedade. O menino-branco sobe o morro, coisa que ele não deveria fazer. Ele sobe pra tentar se divertir, e alguém lhe diz que lá "não tem" e mesmo assim ele ainda quer mais, e ela (pessoa) pede para que ele os deixe em paz. Podemos imaginar que esse menino-branco seja um filho rico, um menino rebelde sem causa, algum filho de empresário ou de tantos por ai, que tem tudo na mão e vão ao morro se divertir, fazendo a "favela morrer", como diria Criolo em suas músicas.

Desses vinte anos nenhum foi feito pra mim
E agora você quer que eu fique assim igual a você
É mesmo, como vou crescer se nada cresce por aqui?
Quem vai tomar conta dos doentes?
E quando tem chacina de adolescentes
Como é que você se sente?

Aqui, podemos imaginar que a pessoa quem falou, à qual falarei "ele", tem 20 anos. Ele diz que desses anos todos, nenhum foi feito pra ele. Em nenhum, ele foi "agraciado", "beneficiado" se "saiu bem". Em todos os anos, ele se ferrou (pra dizermos sem rodeios). E agora, ele mesmo se pergunta, como ele poderá ficar igual aos outros, se no lugar onde ele está, nada cresce? Quem vai poder tomar conta dos doentes? Enquanto tem a morte em massa de adolescentes? E ele ainda questiona perguntado como a pessoa à qual ele indaga (a música toda), como é que ela se sente vendo tudo isso. Vendo essas injustiças, vendo essas direitos nada humanos, dessa sociedade (im)pefeita.

Em vez de luz tem tiroteio no fim do túnel.
Sempre mais do mesmo
Não era isso que você queria ouvir?

Agora, podemos tirar uma dupla frase.
Em vez de luz, tem tiroteio no fim do tunel - Em vez de ter luz, tem tiroteio acontecendo entre bandidos e policiais (ou outros bandidos) no fim dos túneis. Ou então, que em vez de Luz, de coisas boas, há coisas ruins, como tiroteios, nesse "túnel" chamado esperança, otimismo, fé e "um amanhã diferente".

É aqui que vemos o título da música aparecer. "Mais do Mesmo" é a ideia de que ocorre mais coisas, do mesmo gênero. Um bom exemplo além da música (Que mostra que ocorrem mais problemas da mesma coisa, o crime), é o álbum da própria banda se chamar "Mais do Mesmo", mostrando obras, da mesma banda.

Bondade sua me explicar com tanta determinação
Exatamente o que eu sinto, como penso e como sou
Eu realmente não sabia que eu pensava assim
E agora você quer um retrato do país
Mas queimaram o filme
E enquanto isso, na enfermaria
Todos os doentes estão cantando sucessos populares.
(e todos os índios foram mortos).

Agora vemos o poder da mídia. 
Renato (ou ele, o personagem), diz que é muito bom a mídia poder explicar com tanta determinação o que ele sente, sabe e é. Nem ele sabia eu pensava assim, afinal, a mídia o generalizou, transformando quem pensa em "A, B e C", em pessoas-robôs que pensam, acham e sentem "X coisa". 
E então, ele diz como resposta: "Vocês agora querem um retrato do país, mas queimaram o filme", ou seja, não tem como mostrar o retrato do país, a imagem do país, porque eles mesmos, os políticos e pessoas do "alto nível" (nem tão alto assim), "queimaram o filme", ou seja, fizeram coisas erradas, fizeram passar vergonha mostrando que o país não é tudo isso, e enquanto eles pedem esse retrato, querendo provar que somos bons e que temos o nosso jeitinho brasileiro, os doentes nas enfermarias estão cantando sucessos populares (Renato pode estar dizendo novamente sobre a mídia, mostrando que seu poder chega até nesses lugares), e reforça que os índios foram mortos para terem mais espaço e mais urbanização, enquanto eles ainda querem um país de todos. Os índios não foram mortos de se matar, mas foram mortos culturalmente. Eles foram mortos de inocência, eles foram substituídos de indígenas para urbanos-raça-indígena.


Analisado e interpretado por: Eduardo Rezende



3 comentários to "Interpretação: Mais Uma Vez"

  • Realmente trabalho de gênio. Renato foi, é, e sempre será o nosso trovador solitário. Pena que não pude fazer parte da ceração coca-cola, mas mesmo assim o poeta não morreu, como diria Frejat. Sou novo no seu blog mas queria adiantar que adorei! Li todas as análises, todas as 36 e queria sugerir q você fizesse a análise da música Natália. Ela abre o álbum A Tempestade e depois dela vem L'Aventura. Sempre gostei muito dessa.

  • Olha, eu realmente agradeço, de todo o coração, e foi ótimo você ter comentado aqui sobre ela, que depois das de letra M, vou pras seguintes, e poderei colocá-la! rs.
    Eu realmente agradeço, Lucas, por ter lido todas elas, eu fico muito grato por isso. É isso o que move nossa mente, nosso coração e nossa vontade. Meu sincero obrigado, fica na Luz, parceiro! rs

  • Boa tarde! Essa música está com o vídeo e o título do post errado, não?
    Adoraria vez a interpretação de mais uma vez mesmo... "mas é claro que o sol vai voltar amanhã..."
    Abraços... estou amando seu blog!

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