Crítica nas entrelinhas, e simples aparentemente, "Marcianos Invadem a Terra" é apresentada como a Faixa 11 de "Uma Outra Estação", que é o conhecido álbum simbólico e reflexivo. Segue a letra com interpretação:





Diga adeus e atravesse a rua
Voamos alto depois das duas
Mas as cervejas acabaram e os cigarros também
Cuidado com a coisa coisando por aí
A coisa coisa sempre e também coisa por aqui
Sequestra o seu resgate, envenena a sua atenção
É verbo e substantivo/adjetivo e palavrão

Na música, Renato e seus amigos, levariam a vida de seu período "Que País É Esse?", onde eram bebidas, drogas, rock, e tudo mais, que resumiria suas rotinas. 
Nessa parte, podemos ver Renato dizendo para seus colegas coisas simples de se entender, porém, ele mostra depois algo que nos deixa pensar: "Coisa, coisando por ai", essa coisa, que faz tal ato, será explicada adiante. Ele não é direto no que quer expor e deixa uma leve máscara nessas atitudes e nessas pessoas.
Essa coisa, sequestra o seu resgate, ou seja, ela sequestra novamente, quando tudo está voltando ao normal, ela faz com que ela volte à mesmice, e envenena sua atenção, tornando as pessoas alienadas (talvez o título da música?).

E o carinha do rádio não quer calar a boca
E quer o meu dinheiro e as minhas opiniões
Ora, se você quiser se divertir
Invente suas próprias canções

O carinha do rádio, não fica quieto, pedindo, implorando, dinheiros e opiniões, isso quando já não forma as opiniões, e então Renato diz em outras palavras, que é para parar com isso!
Chega! Vamos deixar de ouvir essas pessoas implorando opiniões e dinheiro! Vamos desligar o rádio, desligar outros cantores, vamos nós mesmos fazer a música!

Será que existe vida em Marte?
Janelas de hotéis
Garagens vazias
Fronteiras
Granadas
Lençóis
E existem muitos formatos
Que só têm verniz e não tem invenção
E tudo aquilo contra o que sempre lutam
É exatamente tudo aquilo o que eles são

Essa é a parte reflexiva da música.
Renato indaga um ponto: "Será que existe vida em Marte?", e coloca pontos que poderiam existir lá, iguais aos daqui... Coisas simples, como janelas de hotéis (presença de moradia), garagens vazias (presença de automóveis), fronteiras (mostrando o território próprio de cada nação), granadas (mostrando a guerra, a ira, e completando o termo "fronteiras"), lençóis (mostrando a cama, como talvez o descanso, o sexo ou talvez o sono mesmo).

E então Renato começa o ponto X da questão.
Podemos trocar tais marcianos, sendo a política ou sociedade.
Existem diversas formas de governo, diversos formatos. Que só tem verniz e não tem invenção, ou seja, que eles são diversos, mas os que são parecidos, são envernizados, ou seja, são encobertos seus erros e falhas, e ele muda de cor, mas continua sendo o mesmo.
E então é dita a parte que completa a dita anteriormente:
Tudo aquilo contra o que o governo luta (digo governo pra não dizer sistema nem país), é exatamente tudo aquilo que ele mesmo é. Não ficou claro? Todas as formas de acabar com a guerra, de acabar com a fome, é exatamente aquilo que ele mesmo é: Uma país de diferença social e de interesses geográficos relacionados à guerra. 
Tudo aquilo que dizem, é contrário aos seus atos.

Marcianos invadem a Terra
Estão inflando o meu ego com ar
E quando acho que estou quase chegando
Tenho que dobrar mais uma esquina

Os Marcianos que Renato diz, é a mídia, enquanto Marte, seria o governo dela. 
Marcianos invadem a Terra, e estão colocando as pessoas nas alturas, colocando e abastecendo o ego delas, mas elas sabem o que são, e sabem que estão sendo manipuladas (porque nessa estrofe mesmo, Renato deixa transparecer que sabe), e ela coloca barreiras em suas vidas, social ou não, ela impõe barreiras para as pessoas.

E mesmo se eu tiver a minha liberdade
Não tenho tanto tempo assim
E mesmo se eu tiver a minha liberdade:
Será que existe vida em Marte?

E então, Renato mesmo mostra, que somos escravos da Mídia.
E mesmo se tivermos a nossa liberdade, não temos tempo para aproveitá-la, temos trabalho, escola... E mesmo que tivermos a nossa própria liberdade, ainda ficará a dúvida de ter vida em Marte, deixando mais claro: E mesmo se tivermos a nossa liberdade, o governo ainda será o mesmo, e seremos manipulados. 


Escrito e analisado por: Eduardo Rezende


8 comentários to "Interpretação: Marcianos Invadem a Terra"

  • Essa música é muito mais profunda do que parece. Quando eu parei a primeira vez para interpretá-la eu entendi como "a coisa" sendo a AIDS. Como eu não sei exatamente qual a época que ela foi escrita, mas ela faz parte do disco Uma Outra Estação e parece retratar a época onde tudo começou e como é agora.
    O início parece uma introdução as coisas que ele fazia com os amigos dele em Brasília e ele lembra da aids para os amigos e alerta que também tem aids ali (não é apenas uma coisa dos grande artistas)

    "Cuidado com a coisa coisando por aí
    A coisa coisa sempre e também coisa por aqui"
    Sequestra o seu resgate, envenena a sua atenção
    É verbo e substantivo/adjetivo e palavrão"

    A seguir é a explicação pra ele usar a expressão "a coisa", a AIDS era um tabu e muitas vezes as pessoas tinham medo até de falar o seu nome. É um verbo (ela transmite), substantivo (é uma doença), adjetivo (aqueles que tem AIDS ficam marcados) e palavrão (a palavra como tabu)

    Acho que o resto dá pra deduzir...
    Sobre o rádio, na verdade ele está exausto de ter que agradar a gravadora e as pessoas das rádios.
    Pra mim quando ele fala "Será que existe vida em Marte?", ele tá falando de vida após a morte e como seria lá.
    Nessa parte
    "Marcianos invadem a Terra
    Estão inflando o meu ego com ar
    E quando acho que estou quase chegando
    Tenho que dobrar mais uma esquina"
    É a doença chegando, quando ele acha que finalmente vai descansar, tem que passar por mais alguma coisa e continuar.
    Pra mim fica óbvio quando ele diz "Não tenho tanto tempo assim" e sobre a liberdade, é que mesmo com o coquetel que vai fazer ele ficar bem e viver por mais tempo, não é tanto tempo então será que existe vida após a morte?

    Acho a sua interpretação bem plausível mas só se a música fosse da época do Que País é Este, mas acho que pelo estilo da música da pra ver claramente que não tem o mesmo espírito.

  • Realmente é um ótimo ponto de vista, e penso que tenha entendido a minha interpretação analítica, assim como entendi a sua, clara e específica. O tempo em questão, realmente é de uma época final do Renato, mas penso que como muitas coisas, a letra pode carregar a dualidade da coisa... (muitos não veem o sexo em Daniel na Cova dos Leões!).
    Obrigado, e espero sempre contar com sua presença!

  • Acredito que a interptretação esteja correta, visto que esta música estava programada para ser lançada no disco "Dois" (que inicialmente estava programado como disco duplo), então não poderia ser sobre AIDS, já que o Renato só iria descobrir que tinha a doença anos depois.

  • Pouco profundo. Bom, eu já vi entrevista do proprio Renato em que ele dizia que "a coisa" nada mais era do que a mídia. Ele reclamava do vazio da popularidade da imprensa, e do isolamento das pessoas em seus proprios mundos. O que será que ele diría se soubesse que isso tudo seria muito mais acentuado hoje em dia, quando cada um vive em seu proprio smartphone, tablet, celular...
    Sempre penso numa teoria da física quantica quando ouço essa bela musica..ela indaga se em uma floresta vazia, longe de tudo e de expectadores críticos, se uma árvore cai e provoca todo aquele som e demais efeitos, será mesmo que eles existem, se não tem ninguem pra ouvir e ver..

  • Hugo Borba:
    Essa música foi tocada com o Aborto elétrico, portanto ela foi escrita lá atrás, quando o Renato nem sonhava que seria contaminado com o vírus da AIDS. Por isso seus direitos autorais são divididos com o Capital Inicial, assim como fizeram com todas as músicas do Aborto.

  • os marcianos invadem a terra e inflam a pessoa com tubos de ar pra matar elas e quando ele acha q já vai morrer e se ver livre da dor aí ele ainda vai sofrer mais ainda.

    "E quando acho que estou quase morrendo"...

  • Coisa é simplesmente coisa.
    Quando uma pessoa se refere a algo que ela não conhece usa o termo coisa.
    O que realmente é uma coisa

    Essa coisa, aquela coisa, que coisa é essa

    Coisa pode ser tanta "coisa".

    Na música ele questione esse termo...

  • Existe uma musica do David Bowie, grande influencia de Renato Russo, chamada "Life on Mars?". Marcianos invadem a terra e' uma letra bem antiga, anterior a AIDS.

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