Lançada em 1985, "Será" é o hino de uma religião de fãs que se esgoelavam para cantar juntos ao mestre de uma banda chamada Legião Urbana.
Sendo uma das músicas que mais puxou a vendagem de discos, "Será" é uma letra muito simples comparada às outras de rebeldia que Renato Russo viria à escrever. "Será é imbatível. Acho que tudo o que a gente vai falar na vida está naquela música" - Renato Russo, 1988.


Tire suas mãos de mim
Eu não pertenço a você
Não é me dominando assim
Que você vai me entender
Eu posso estar sozinho
Mas eu sei muito bem aonde estou
Você pode até duvidar
Acho que isso não é amor

A música sempre pôde ser levada por dois lados. Um lado amoroso, e outro lado, de uma experiência de vida. Imagino que o lado de experiência de vida seja maior, mas o lado amoroso não pode ser deixado de lado, visto que quem à escreveu foi o poeta das multifaces.
Ele (personagem) espera que a pessoa tire "as mãos dele" porque el não pertence à ela, ele é livre e não gosta de ser dominado, diz que pode estar sozinho, mas sabe aonde está, e que ela pode duvidar de sua certeza ou de sua confiança, mas ele crê que a dúvida não é prova de amor. Pro lado amoroso, essa parte se encaixa perfeitamente uma vez que ele não quer ter dono e quer ser livre no mundo, fazer e ir onde querer sem dar satisfação porque ele pode estar sozinho, fazendo o que bem entender. 


Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?

Uma dúvida cruel, que nos leva ao lado de experiência de vida.
Um adolescente inexperiente que não quer dar respostas e quer ser dono de tudo e de si, se depara com a realidade da vida. Será que é só imaginação? Tudo o que vejo, realmente é verdade? Será que nada vai acontecer? Será que pra sempre terei que viver no conformismo sem saber a verdade? Será que é tudo isso em vão? Será que realmente farei o que quero e no fim, serei o que quis? Será que irei conseguir vencer?


Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação?
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Pra que esse nosso egoísmo
Não destrua nossos corações

Aqui é uma parte interessante de se analisar friamente. 
O personagem em questão ainda em pergunta de será?, indaga sobre o possível ato de se perder entre monstros da própria criação, ou seja, se perder em pensamentos negativos criados por si mesmos, e que é possível  caso isso acontecer, perder noites inteiras com medo do que virá à acontecer, e por isso, ficarão acordados imaginando alguma solução pra que o egoísmo não os destrua, afinal, esse medo, diz respeito à apenas eles, eles, que são donos de si, e que julgam que o amor não é a dúvida, e que não pertencem à 
ninguém. 

Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?

Aqui, novamente, os jovens se perguntam, afinal, o futuro é um tema que jamais teve respostas, só pertence à Deus! E a eles, apenas a realidade que vivem e que escolheram viver. 

Brigar pra quê
Se é sem querer
Quem é que vai nos proteger?
Será que vamos ter
Que responder
Pelos erros a maisEu e você?

Essa parte volta ao lado amoroso da coisa.
Brigar pra quê, se é sempre sem querer, jamais queremos brigar, então pra quê nos magoarmos?
Quem é que vai nos proteger se brigarmos, afinal, um protege o outro!
Será que vamos ter que responder pelos erros a mais juntos? "Como se já não bastasse meus defeitos, terei que dividir as soluções com você? Ora! Tire suas mãos de mim, eu respondo pelos meus erros!"

Análise da música: Eduardo Rezende


7 comentários to "Interpretação: Será "

  • Quero ver você me dizer a qual álbum será pertence kkkk

  • Realmente, nem precisarei dizer que Será é a primeira das primeiras! rsrsrs.

  • Um pensamento livre como livre devem ser os passaros com amor sem confusão.

  • "Será" fala da ditadura, isso é claro pelo momento em que ela foi feita e por várias entrevistas que ele já deu... Claro que como ele mesmo sempre dizia, não gostava de explicar suas músicas pq para cada pessoa elas tinham um significado diferente (principalmente do verdadeiro, pensado por ele na composição)

  • Pra mim, fla de um relaçao de adolesceentes em que eles brigam muito, um quer dominar o outro, tanto que fala "tire suas maos de mim, n pertenço a vc" e "brigar pra q?se é sem querer"

  • Colocando do lado da ditadura casa bem também. E esses erros administrativos continuamos pagando. E no caso seria destruir corações de um povo. E pelo ano lembro dos caras pintadas e Tancredo Neves. E Figueredo era um General e não queria democracia e voto direto, eleições diretas já!E existia uma vontade muito grande de mudanças o qual amornou.
    Casa muito mais para um lado político, do que um relacionamento de casal. E só percebi isto quando citaram sobre a ditadura.

  • Tive belíssimas recordações com essa música!
    Lembrei de uma época em que uma banda formada por pacientes, do setor de internamento, cantavam e tocavam essa música junto à equipe de profissionais dentro de um hospital Psiquiátrico. Essa música soava como um "grito de reivindicação p terem seus direitos respeitados", "um chamado", "um apelo", e; sobretudo " a incerteza do amanhã"...
    Na época recordo que não era apenas a "batida" dos instrumentos - que por possibilitar efeitos terapêuticos, fazia sentido para eles. Era algo mais forte!
    Percebia que ao pronunciarem a letra exprimiam todo o desejo de demonstrar o que essa música representava enquanto eles estavam mantidos segregados, excluídos, esquecidos pela sociedade, pelo sistema e até mesmo, em alguns casos pela própria família.

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