Vinda do segundo álbum da Legião Urbana, "Dois", "Música Urbana" é a terceira faixa do lado B do disco e é de letra crítica e que nos lembra muito a estrutura e ritmo do Rock internacional, que obviamente serviu de inspiração ao começo da banda. O álbum assim como a música, é lotado de críticas e letras que fizeram sucesso aos admiradores de músicas como essa, "Metrópole", "Índios", "Fábrica" ou então "Acrilic On Canvas" ou "Eduardo e Mônica", "Quase Sem Querer" e por ai vai.
A letra é simples, com coisas explícitas mas que devem ser analisadas, quando perguntado o que seria essa "música urbana". Segue-se a letra e a análise desta:


Em cima dos telhados as antenas de TV tocam música urbana,
Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres
cantam música urbana,
Motocicletas querendo atenção às três da manhã -
É só música urbana.

"Música urbana" antes de mais nada, seria a forma de protesto, a voz do povo ausente ou presente, as ideias para músicas, as inspirações e a forma com que uma noticia ou fato torna-se vítima de crítica ou de melodia.
A música urbana, está em todos os lugares: Nos telhados pelas antenas de TV, sintonizando e consumindo música urbana. Nas ruas os mendigos mostrando, fazendo e servindo de inspiração para músicas urbanas, e nas ruas nas três da manhã, com as motocicletas que querem chamar atenção, assim como a música urbana, que apela por novos ouvidos.

Os PMs armados e as tropas de choque vomitam música urbana
E nas escolas as crianças aprendem a repetir a música urbana.
Nos bares os viciados sempre tentam conseguir a música urbana.

Nos quartéis e prisões, nas ruas fardados e em cadeias, os soldados e PMs vomitam a música urbana, pois desprezam e tem nojo dessa forma de protesto. Nas escolas, em contrapartida, as crianças aprendem a cantar repetidas vezes, a música urbana, como protesto ou como aprendizado; e nos bares, viciados (não necessariamente de bebidas) tentam conseguir música urbana, sendo por ela ser o único meio que eles entendem e o único que os entende, seja por meio de apoio, seja por meio crítico.

O vento forte, seco e sujo em cantos de concreto
Parece música urbana.
E a matilha de crianças sujas no meio da rua -
Música urbana.
E nos pontos de ônibus estão todos ali: música urbana.

Nessa parte, vemos a fonte de inspiração:
O vento forte, seco e sujo, paredes de concreto (indo e ligando diretamente com a cidade), parece música urbana, porque ela é urbana, ela é de onde o vento é forte, seco e sujo. Onde há concretos.
As matilhas de crianças-lobos, que matam pra comer e viver, vivem pra comer e matar, e comem por viver e por isso matam, está presente a música que é tão acolhedora, tão crítica e tão urbana.
E nos pontos de ônibus, onde todos esperam, onde estão pessoas diferentes e de lugares diferentes, está a música urbana, que não tem pra onde ir, e nem tem de onde chegar. Ela simplesmente existe por existir e pra quem existe e quer existir socialmente, criticamente ou busca uma vida, como os viciados nos bares, ou os futuros adultos que nas escolas aprendem a repeti-la.

Os uniformes
Os cartazes
Os cinemas
E os lares
Nas favelas
Coberturas
Quase todos os lugares.

Nos uniformes das escolas, dos alunos que repetem, e nos uniformes de PMs e soldados que vomitam e tem nojo, está a música urbana, assim como nos cartazes de busca, de prisão, de anúncio, nos cinemas com filmes liberados pelo governo, desde as favelas cercados por muros que isolam eles da sociedade e não da segurança, até às coberturas, que os isolam por segurança e não socialmente, em quase todos os lugares, do mais alto nível até o mais baixo, está a música urbana. Que não escolhe, não distingue, e existe por existir, porque nós, de favelas ou coberturas, precisamos dela.

E mais uma criança nasceu.
Não há mais mentiras nem verdades aqui
Só há música urbana.
Yeah, Música urbana.Oh Ohoo, Música urbana.

E mais uma criança nasceu.
Forte não? Passa a impressão de pouco caso, de que: "O que seria mais uma criança em meio à isso?" Nos lembra "Mais do Mesmo", mas de qualquer forma, essa criança nasceu... Nasceu nesse meio que não tem mentiras, nem verdades. Nesse meio cegado pela mídia que mostra, negado pelos cartazes, pelos cinemas, pelos uniformes, desprezados pelos PMs e tropas de choque, anunciados pelos ventos, pelos bares e pelos pontos de ônibus. Essa criança nasceu onde não tem certo nem errado. Onde não há pessoa boa nem má. Onde há qualidades e defeitos. Ela nasceu num lugar que é dominado por ela, Música Urbana.  



Análise e interpretação: Eduardo Rezende



Com pensamentos positivos e defendendo o ato da sociedade se amar, os sentimentos e pensamentos desses atos amorosos, Renato Russo nos traz em "As Quatro Estações", a canção "Monte Castelo", apresentando um ritmo agradável e que combina perfeitamente com a letra.

Com a cruza de versos da Bíblia e de Camões, Renato fez perfeitamente uma mensagem de amor. Esperto? Sim, pois usou palavras alheias para se inspirar, mas afinal, eu também, assim como todos os colegas, fazemos isso, para podermos analisar. Errado? Nunca. Fez perfeitamente uma obra que foi a cara do disco, considerado pelo lado crítico, as opções e gostos além da ditadura, e ao lado religioso, às mensagens presentes em "Meninos e Meninas" e claro, abertamente, em "Monte Castelo".
Segue-se a letra e a interpretação desta:

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

Ainda que nós todos (usarei o plural porque apesar de estar em "eu", na música, ela se encaixa perfeitamente e totalmente, em todos nós), pudéssemos falar a língua dos homens, e tivéssemos e conhecimento de todas elas, e além disso, pudéssemos falar a língua dos anjos, sem amor, de nada seríamos.
O amor, ele move mais do que a sabedoria mundana. O amor não é carnal, nem humano (ou totalmente), o amor é espiritual e vem do afeto de um, ao outro.

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.
O amor é bom, não quer o mal,
Não sente inveja ou se envaidece.

Aqui, fica claro, para todos nós, religiosos ou não, Legionários ou não, fãs de poesias de Camões, ou não, e que todos nós podemos tirar as conclusões sem conhecimento ou aprofundamento no tema.
O amor é a verdade, pois ele é verdadeiro. Ele caminha nos rumos da verdade e do que é verdadeiro entre os humanos. Ele é bom, por justamente ser verdadeiro, e por ser bom, não quer o mal, nem a inveja, nem a vaidade, nem nada de humano ou de impefeições do homem.

O amor é o fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

Essa parte é muito poética, mas podemos capitar mensagens nas entrelinhas e ficam coisas claras e de extrema importância quando falamos de amor, pois são essas figurações que nos mostram as características do amor segundo Camões:
O amor é fogo que arde sem se ver; Ele queima por dentro, como diria Chico Buarque. Ele é o fogo da paixão. Ele é o fogo insaciável do desejo .É ferida que dói e não se sente; Ele machuca por dentro e por fora. Ele faz morrer e faz matar. Ele é a causa de feridas internas, sentimentais, psicológicas, carnais e físicas.
É o contentar-se mesmo descontente e e é a dor que se manifesta sem doer.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos
Sem amor eu nada seria.

Ainda, que eu pudesse ter o dom da Profecia, que eu tivesse o direito de falar a língua dos homens, e a sabedoria de falar a língua dos anjos, sem amor, eu nada seria. Pois é ele quem move o mundo, e é ele quem move a vontade de querer saber falar e usar as coisas.

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.

Novamente, isso se repete: A poesia deixa nas entrelinhas as características do amor.
O amor é o não querer mais que bem querer. É o não querer amar, mas bem querer a pessoa. Ou não querer a pessoa, mas querer amá-la. É uma contradição, como será dito.
O amor é solitário andar por entre a gente. É o individual, é o cada um. Ele é o não contentar-se em estar bem de contente, e então, vem a frase X:
É o cuidar que se ganha em se perder. É o cuidar de quem está agora, após decepções e mentiras, que levaram a falta do amor, uma vez que ele é a verdade.

É um estar-se preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É um ter com quem nos mata a lealdade.
Tão contrário a si é o mesmo amor.

O amor é o estar preso por vontade. Ele é mais do que o que círculo preenche o vão dos dedos, ele é o querer estar preso à outro não só simbologicamente mas afetivamente.
Ele é servir à quem vence, é o tornar-se vencedor. É "um ter com quem nos mata a lealdade", que em outras palavras seria "É estar falando/estar junto/estar debatendo com quem nos trai a confiança".
Como digo, ele é contrário à si mesmo. Não que o amor seja, mas ele nos torna assim, contrários. Pois ele transforma.

Estou acordado e todos dormem.
Todos dormem. Todos dormem.
Agora vejo em parte,
Mas então veremos face a face.

Como dito na Bíblia, também em Coríntios (1 Coríntios 13:12): "Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido". O Amor o deixa acordado enquanto todos dormem. O amor o faz ver agora em parte, mas ele busca ver face a face. Ver o inteiro. Ver por completo. Entendê-lo ou dele fazer parte. Mas o amor apesar de tantas características e descrições, é algo que foge da razão humana...

É só o amor! É só o amor
Que conhece o que é verdade.

É só o amor que conhece o que é verdade.
É só o amor que é verdadeiro, e nos torna verdadeiros.

Ainda que eu falasse
A língua dos homens
E falasse a língua dos anjos,
Sem amor eu nada seria.

Como dito, o amor foge da razão humana...
O amor foge de explicações.
E mesmo que ainda falássemos a língua dos homens, dominássemos seus conhecimentos humanos e mesmo que falássemos a língua dos anjos e pudéssemos ter as ideias santas ou divinas, sem o amor, que pode ser tanto a arma, quanto a defesa, nada seríamos.


A parte presente na música, está disponível em Coríntios, e o poema de Camões.
Quem se interessar, acho interessante acessar esse link e poder ter maior conhecimento sobre.

Análise e texto: Eduardo Rezende



Escrita por Renato Russo e estando presente como a primeira faixa, do segundo lado, do segundo disco da Legião, Metrópole abre o Lado B de Dois, lançado em 1986, e passa a crítica do importar-se ou não com os outros além da presença dos pensamentos de influência da Mídia (vivido e começando a se manifestar nesses tempos).Segue-se a letra e a análise:

"É sangue mesmo, não é mertiolate"
E todos querem ver
E comentar a novidade.
"É tão emocionante um acidente de verdade"
Estão todos satisfeitos
Com o sucesso do desastre:
Vai passar na televisão
"Por gentileza, aguarde um momento.
Sem carteirinha não tem atendimento -
Carteira de trabalho assinada, sim senhor.
Olha o tumulto: façam fila por favor.
Todos com a documentação.
Quem não tem senha não tem lugar marcado.
Eu sinto muito mas já passa do horário.
Entendo seu problema mas não posso resolver:
É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver.
Ordens são ordens.
Em todo caso já temos sua ficha.
Só falta o recibo comprovando residência.
Pra limpar todo esse sangue, chamei a faxineira -
E agora eu vou indo senão perco a novela
E eu não quero ficar na mão

Fazendo a interpretação geral, pois a música não é divida em partes e nem posso dividi-la se não perde sua essência.
Podemos ver a critica à influência da mídia e aos seus influenciados logo de início quando ele diz que é sangue mesmo, e não mertiolate (Mertiolate no tempo da música teria a cor rubra, próxima ao sangue), ou seja, é um acidente verídico o que obviamente, como eles mesmo esperam, vão ver, comentar e admirar a novidade do momento: A tragédia alheia, afinal, é muito emocionante um acidente de verdade (com a ironia presente na própria música, escrita entre aspas como se fossem as falas dos próprios que falam sobre o acidente).
Como é dito, e como é esperado, todos ficam satisfeitos com a novidade da mídia. Todos ficam admirados em saber detalhes, curiosos em saber as causas e consequências, abismados em deparar-se com a novidade, e eufóricos em querer sair e comentar com todos a tragédia. Afinal, quem quer estar por fora de algo que todos sabem? Ainda mais uma tragédia que seria "tão emocionante"? Tudo isso, esses detalhes esperados e as novidades, obviamente serão passadas na televisão, porque é ela quem comanda a massa, e é a massa que comanda o lucro, a mente fechada e claro, as tragédias.
Renato critica o atendimento de hospitais (a presença do sangue), e realmente se levado em conta todos os descasos que se encontram nos corredores e nas próprias recepções, Renato fala por um povo.
Renato diz várias ordens que as/os secretárias/secretários de atendimento dão. Ordens de filas, de organização... e o mais interessante, é que ele finaliza dizendo a resposta que tais atendentes provavelmente deram aos seus pacientes, de que deve-se ter senhas e lugar marcado, que eles entendem o problema, mas (in)felizmente já passou do horário deles, eles então oferecem as regras para serem lidas e é ai que nos damos conta... De que obedecemos ordens, de quem obedece ordens... De que vivemos em uma hierarquia, onde os mais baixos não tem direitos, e que o mesmo direito de acabar de trabalhar logo pra ir ver a novela, é o mesmo direito de ser atendido logo e voltar pra sua casa com saúde e segurança.
Um fato  que julgo de necessidade pra complementar a hierarquia propriamente dita, é o modo com que as atendentes se referem ao: "Chamei a faxineira pra limpar todo esse sangue, e agora eu vou indo se não perco a novela... E eu não quero ficar na mão", é nessa parte também que vemos, que os mais altos dependem dos mais baixos, e não dão o devido valor, NUNCA, à eles.
Renato, Legião, e "Dois", novamente mostrando a verdade que os brasileiros engolem faz anos, e que fará anos e anos, nunca mudará.


Análise e crítica: Eduardo Rezende



Para informações de introdução, acesse esse link que direcionará à Introdução de "Metal Contra As Nuvens".

A letra, como sabemos, é muito extensa, e como o blog segue apenas um tipo único de análise (colocando-se a letra e comentando, e analisando as letras) aproveitei que a letra já é dividida em quatro partes (notadas na letra pelos I, II, III, IV, e na música pela mudança de ritmo), analisarei com base nelas.
Espero que gostem, comentem e divulguem o blog.
Ele vive da pulsação de cada coração Legionário que ainda vive.

I
Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz.
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Reconheço meu pesar
Quando tudo é traição,
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos.Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá.

Em toda a música, vemos a presença do medievalismo. São mensagens de crítica carregada e escondida nas entrelinhas de uma música que fala de amor, que fala de conquista, que fala de vitória e honra.
"Metal Contra as Nuvens" é uma música que trata a Era Medieval, mas não se aprofunda, ficando apenas nas bordas, adentrando apenas outras mensagens, escondidas e de grande importância.
Renato começa dizendo que não é escravo de ninguém, que ninguém manda nele e que ele é dono de seu próprio território. Levando em conta a crítica podemos observar que ele em outras palavras, em todos esses versos poemáticos, mostra que não acata ordens, não obedece, que tem os seus valores.
Fatos interessantes que podem ser levados em conta é o fato dele mencionar o metal, o raio, o ouro etc. O metal até então não é especificado (ficará mais à frente), e ele menciona o brasão (utilizado na época como identificação de cada família), além de mencionar outros objetos e símbolos da época medieval. A lua, a estrela, que hoje são nada mais do que normais, mas no período, de extrema importância simbólica e admirável.

II
Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa.
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Mas vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo.
Olha o sopro do dragão...

Aqui a parte crítica é mais forte, e sem tantos enfeites. O máximo que temos é a troca de símbolos como um meio de ocultar a a crítica, mas ainda assim, é notável.
Sendo bem direto, ele quase acreditou nas promessas de outra pessoa, e quando deu por si, notou que só havia fome e destruição, ele perdeu todos os bens, e repete, que QUASE acreditou. Isso podemos levar de forma direta, o bom exemplo que o governo nos dá. Collor (presidente da época) com seu rosto e palavras simpáticas fez com que todos acreditassem que ele seria O presidente, mas isso foi provado que não seria, quando todos deram por si e viram que QUASE acreditaram em tais promessas... Quase acreditaram que o rosto e as palavras poderiam mudar algo, e não roubar e tomar o que é deles.
Eis então, a parte que ele dá a resposta.
Existem os tolos, existe o ladrão. Os tolos votam, e o ladrão rouba o que é dos tolos, ele se alimenta e vive do que é roubo, e como há os que não confiam nesse ladrão disfarçado de boa-índole, guardam os tesouros próprios, caso ele esteja mentindo (como esteve).
O "sopro do dragão" que é mencionado e repetido na música, pode ser levado como a arma do inimigo. O Dragão na música seria o sistema errôneo e o governo corrupto, e sua arma seria tal sopro. Assim como a espada seria do guerreiro.

III
É a verdade o que assombra
O descaso que condena,
A estupidez, o que destrói
Eu vejo tudo que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes,
O corpo quer, a alma entende.
Esta é a terra-de-ninguém
Sei que devo resistir
Eu quero a espada em minhas mãos.
Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão
Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão.
Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então.

A primeira parte diz respeito aos sentimentos de todos e aos atos de todos. A verdade assombra a sociedade, o descaso de um pelo outro condena, e a estupidez é o ponto X, pois é ela que destrói o meio em que o homem vive. Ele vê tudo o que se foi, sabe que muita coisa não existe mais, e sente os sentidos dormentes, o corpo quer lutar, e alma entende o motivo e o desejo de lutar, essa é a terra-de-ninguém! Uma terra de disputa constante onde ninguém quer governar, ele sabe que deve resistir, mas seu corpo quer e sua alma ainda entende. Ele quer a espada em suas mãos. Ele quer o motivo do título da música. Ele quer ver o seu metal (sua espada) contra as nuvens. Pois é com a espada erguida, que o guerreiro se mostra vencedor, e é nesse momento que ele não se entrega sem lutar, ele ainda tem coração, não se rende, e sabe que o inimigo cairá.

IV
- Tudo passa, tudo passará...
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar.
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.

A música trata o tempo todo da vitória. Na simbologia à primeira vista, uma vitória de um guerreiro com território invadido, um guerreiro que quer justiça, que sabe seus limites, mas insiste e consegue ganhar. Já nas entrelinhas, não vemos tanta mudança. É um povo guerreiro, que tem seu território constantemente governado por pessoas erradas. É um povo que clama e corre por (e da) justiça, que sabe os próprios limites e deficiências, mas insiste em lutar contra esse dragão! Essa besta-fera que se chama injustiça, ignorância e todas as outras filhas e filhos de um governo corrupto.

"Tudo passa, tudo passará" são as palavras de esperança de tempos melhores, que Renato nos deixa complementando essa linda música, com versos simples e diretos. Até nossa história chegar ao fim, teremos coisas pra contar, e até lá, amos viver incansavelmente um dia de cada vez, pois há ainda muito o que fazer, não devemos olhar pra trás pra nos arrependermos ou por saudade. Toda a mudança é necessária. O mundo começa agora, quando a mudança chega, começa no outro dia, que é um dia diferente... E nós apenas começamos, cada dia de cada vez, como guerreiros que buscam ter seus próprios metais, contra as nuvens, derrotando o dragão dos medos e modos próprios.
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Análise e interpretação: Eduardo Rezende



Olá seguidores!
Por meio dessa postagem, venho agradecer à todos pelo acesso contínuo que ando recebendo aqui, e agradeço de todo o coração, que pulsa por sons que todos nós, obviamente, temos o gosto.
Legionários e seguidores, essa postagem será a introdução de "Metal Contra As Nuvens", como um meio de esclarecer fatos que acho de extrema importância.
A primeira coisa que queria deixar claro, é que a música por ser muito grande será dividida em quatro partes, assim como sua própria melodia nos traz. A segunda coisa, seria que junto a outra postagem, virá uma análise do modo conhecido de todos vocês, a postagem em preto com a análise, e em vermelho como a letra. Por ser muito grande, resumirei as ideias e classificarei dados que achar relevantes.

Obrigado por tudo!
Por essa ser a introdução da postagem, aqui fica o vídeo contendo a música.

O Blogueiro



Mais do que polêmica, mais do que causadora de pontos de vista, porém direta, "Meninos e Meninas", a dona da interpretação de hoje, é uma das que causa caminhos que se encontram quando o tema, se trata, justamente de meninos e meninas.
Como todos sabem, o líder da Legião Urbana era bissexual. Deixando isso mais do que abertamente em muitas de suas letras (que foram e serão apresentadas aqui), Renato Russo deixa bem claro em entrevistas que essa música se trata da bissexualidade, do gosto, e talvez, como ele mesmo diz uma "bandeira à favor da Igreja Católica".
Vou deixar as entrevistas no fim da análise, e em todas as partes da música, deixarei claro o meu ponto  de vista, baseado em pesquisas e em entrevistas deixadas em livros que possuo. Segue-se a análise:

Quero me encontrar, mas não sei onde estou
Vem comigo procurar algum lugar mais calmo
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita
Tenho quase certeza que eu não sou daqui

Aqui, ele já começa a música mostrando quem é, e logo depois mostrará o que acontece ou o que aconteceu.
Ele quer se encontrar, quer ter certeza de quem é, mas não sabe onde está, nem dentro de si, nem socialmente, e pede pra terceira pessoa ir com ele procurar algum lugar longe desses problemas sociais que envolvem seu modo de vista, dessa confusão e desrespeito, de gente que assim como ele tem quase certeza que ele não é da Terra por apenas ter o gosto sexual diferente do que é "modelo".

Acho que gosto de São Paulo
Gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas

Aqui, Renato esclarece o ponto anterior.
Depois de falar que gosta de São Paulo, de São João, São Francisco e Sebastião, Renato deixa bem aberto que gosta de meninos e meninas. O fato de colocar os santos no meio, Renato nunca especificou, mas fica bem claro em uma entrevista: "Não é uma bandeira pelo bissexualismo; aquilo é uma bandeira em favor da Igreja Católica. Eu também falo que gosto de São Francisco. Depende de como você vê a letra", Renato nunca negou que era cristão, e seguidor da Igreja Romana, e talvez tenha colocado pra dar uma leveza à crítica, mas isso fica claro depois.

Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre
Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente
Estou cansado de bater e ninguém abrir
Você me deixou sentindo tanto frio
Não sei mais o que dizer

Essa parte, poderia entrar em quando ele percebeu suas dúvidas.
"Vai ver que é, foi, e sempre será assim, essa dúvida vai continuar, e eu não sei se gosto, mas eu sei que gosto, de meninos e meninas", um possível pensamento, que se enquadraria nessa parte perfeitamente.
Renato deixa claro a indecisão de que "vai ver" é assim, e vai ser assim, que isso (sentimento) vai ficando complicado, pois ele vai se encurralando em dúvidas, e diferente, pois "só ele" deve pensar dessa forma.
Então, ele deixa uma coisa bem clara: Ele cansa de bater, e ninguém abre, ninguém cede nem tempo, nem opiniões, nem mente aberta para discutir e falar sobre isso, e então, por deixarem ele pra fora, ele sente frio, é poético e inteiramente simbólico. Por não deixarem ele entrar, acolherem suas dúvidas e sentimentos, ele fica lá fora, continuando no frio, sem apoio de ninguém, e depois disso, nem ele mesmo sabe o que dizer!

Te fiz comida, velei teu sono
Fui teu amigo, te levei comigo
E me diz: pra mim o que é que ficou?

Essa parte, completará a parte de baixo, e completa algum tempo depois, a parte anterior.
Renato foi amigo, velou o sono, foi amigo, confidente, levou com ele, aconselhou... e depois de tudo isso, o que é que ficou? Ele fez a parte dele, e as portas (propriamente ditas), fecharam à ele, bateram ela na cara dele, e ele ficou lá, no frio, enquanto tais pensamentos o assombravam.

Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são
Você não quis tentar me ajudar
Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?

Renato diz à terceira pessoa, que se enquadra perfeitamente na sociedade (sendo os pais, ou uma antiga companheira, ou amigo, ou a própria sociedade):
"Me deixa ver como é bom viver!", me deixe ser livre!
Não é a vida como está, não importa se a vida está boa, mas sim, se as coisas estão indo bem! A vida é feita de momentos e devemos dar importância aos momentos, e não ficar buscando uma vida perfeita, sendo que podemos fazer tais momentos perfeitos!
Então vemos a parte que completaria a parte do "sentindo frio": "Você não quis tentar me ajudar/Então, a culpa é de quem?/A culpa é de quem?"."Você não doou seu tempo, não doou suas opiniões, seu palpites, e agora vem me crucificar? Calma ai! Você não quis tentar me ajudar da melhor forma possível. A culpa não é minha. Talvez seja sua, mas não é totalmente sua. Simplesmente sou, e pronto!". Acho que assim ficaria mais claro.

Eu canto em português errado
Acho que o imperfeito não participa do passado
Troco as pessoas
Troco os pronomes

Renato canta em português errado...
Ele acha que o "imperfeito não participa do passado", isso parece soar como algo bobo, sem importância, mas se levarmos em conta o fato de que a sociedade imperfeita não está no passado, mas continua no presente, aí veremos que faz todo o sentido! Uma vez que a sociedade só evoluiu tecnologicamente, e não necessariamente moralmente ou eticamente (ou até religiosamente, como deixarei claro!).

Preciso de oxigênio, preciso ter amigos
Preciso ter dinheiro, preciso de carinho
Acho que te amava, agora acho que te odeio
São tudo pequenas coisas e tudo deve passar

Essa parte é bem simples:
Renato precisa respirar, precisa ter reais amigos, que não lhe fechem a porta.
Precisa ter dinheiro, precisa de carinho, afeto.
Ele mostra sua indecisão quando diz que acha que amava a pessoa, e agora acha que a odeia. Isso pode não ser necessariamente uma pessoa, mas um ato dela. O preconceito, a discriminação, os fechar-a-porta em sua cara e os não-querer-ajudar, mostrando que cada um preocupa-se apenas com seus próprios problemas.
Como ele mesmo diz, são pequenas coisas, e tudo deve passar. Isso se enquadra também, quando comparamos ao fato (como disse anteriormente) de decisões acarretadas na sexualidade: "Será que realmente É normal? Será que realmente SOU normal? Bem, são pequenas coisas... E tudo deve passar".

Acho que gosto de São Paulo
E gosto de São João
Gosto de São Francisco e São Sebastião
E eu gosto de meninos e meninas

Como essa parte já foi interpretada, acho interessante colocar e expor os fatos nela:
Renato diz: "Em 'Meninos e Meninas', é a primeira vez que falo, claramente, que gosto de meninos e meninas. Também não sei o que vai dar, porque começo a falar de santo, no meio da música, e vai embolar tudo. E o amor ao próximo? Jesus gostava de meninos e meninas. Não sei se sexualmente, porque, naturalmente, Ele era um ser evoluidíssimo. Ele era um ser totalmente espiritual.".

E deixo outro fato pra poder ficar exposto:
*São Sebastião é considerado o Padroeiro dos homossexuais.
*São paulo de Tarso, perseguia seguidores de Cristo até se tornar um. Talvez isso nos mostre que não podemos julgar, sem antes saber o que poderá vir depois... Talvez uma "conversão" de ideias, ou até uma clareação de opções.
*Renato em um dos shows (quem se interessar, a versão está no site de vídeos aberto), diz que a música foi feita para um ex-namorado, e brinca quando diz que quando isso foi revelado, a platéia ficou em silêncio.


Análise, Pesquisa e Interpretação: Eduardo Rezende