Seria suspeito falar que essa é uma das "mais lindas da Legião", se sempre digo isso nas minhas preferidas, mas essa realmente tem uma estrutura poética que é apaixonante, e nos dias apaixonados, pessoas apaixonadas se sentem inspiradas por esse ritmo, que se levado ao fundo, nos dá um contraste com a situação, ao meu ver, a música é uma separação, um afastamento, e alguém, assim como em "Os Barcos" sofre por uma ausência, que diferentemente da música citada, é um amor que passa por sua vida e o marca, e que o dá nostalgia.

Mudaram as estações
E nada mudou
Mas eu sei
Que alguma coisa aconteceu
Está tudo assim tão diferente...

As estações mudaram.
Os períodos mudaram, o frio, o calor, o sol e a chuva, as flores, e as folhas que caem mudaram de ciclo, e nada mudou.
Renato começa a música com algo extremamente poético, dizendo que tudo mudou, mas ele não percebe diferença nas mudanças, apesar de saber que alguma coisa aconteceu, porque sente que tem algo diferente no ar. As estações mudaram, e não houveram mudanças com elas, tudo ficou na mesmice, a saudade, a falta, e ele sabe, em seu íntimo que ago mudou, porque "está tudo assim tão diferente".

Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era prá sempre
Sem saber
Que o pra sempre
Sempre acaba...

Renato aqui, diz para uma terceira pessoa, que sempre imaginei, sendo um reflexo pra dentro de si, como se ele sonhasse com essa pessoa e dissesse à ela dentro de si mesmo, perguntando se ela se lembra de como eles chegaram à acreditar, que "tudo era pra sempre", sem saber que o "pra sempre, sempre acaba"

Mas nada vai
Conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem...

Mesmo tudo que foi dito pra sempre durar, agora ter acabado, nada vai conseguir mudar o que ficou.
O que ficou, é o resultado das vezes de quando ele se pega pensando nessa terceira pessoa, e só então ele vê o quão bem estão juntos.

Mesmo com tantos motivos
Prá deixar tudo como está
E nem desistir, nem tentar
Agora tanto faz
Estamos indo de volta prá casa...

E mesmo com tantos motivos pra deixar tudo na mesmice, e continuar tocando tudo como se nada tivesse acontecido, e mesmo sem desistir e sem tentar, agora tanto faz. Agora ele se pega imaginando, indo de volta pra casa.


Análise e Texto: Eduardo Rezende


Teremos à seguir, uma análise diferente:
Crítica, conhecida, de estrutura e letra, ritmo e interpretação simples, "Plantas Embaixo do Aquário" nos é apresentada primeiramente no segundo álbum da Legião Urbana ("Dois"), estando no segundo lado, sendo a segunda faixa.
Diferente de outras da Legião, ela é bem repetitiva, tendo na verdade poucos versos que não pertencem ao refrão, que é um aviso (um grande aviso) para a sociedade.
Interessante mencionar, como um ponto de curiosidade, que os versos dessa música, foram colocados no final da música "O Reggae", quando foi apresentada a crítica ao sistema Collor, servindo (e muito) para a colocação da crítica, uma vez que a guerra é constante, e os motivos, infinitos. 

Aceite o desafio e provoque o desempate
Desarme a armadilha e desmonte o disfarce
Se afaste do abismo
Faça do bom-senso a nova ordem

Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar

(dialogos em francês e inglês)

Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar

Pense só um pouco
Não há nada de novo
Você vive insatisfeito e não confia em ninguém
E não acredita em nada
E agora é só cansaço e falta de vontade
Mas faça do bom-senso a nova ordem

Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar
Não deixe a guerra começar

A música começa com avisos.
Coloco sempre essa música, como uma irmã de "A Canção Do Senhor Da Guerra".
Assim como a música propriamente dita, "Plantas Embaixo do Aquário" é de mesma temática: guerra, alienação e comando hierárquico; mas há uma pequena e notável diferença: A primeira música, retrata um convite à guerra, defendendo (de forma irônica, claro) as batalhas, e mostrando de alguma forma, a beleza nos campos de batalha, já a segunda, retrata um outro lado (o lado não irônico, que Renato realmente acreditava), da falta de beleza da guerra, das bobagens dos conflitos e recados e ordens contrários à guerra.

Primeira Parte:
Renato diz para aceitar o desafio imposto e provocar o desempate. Aceitar a mudança e provocar uma vitória (ou derrota). Desarmar a armadilha e desmontar os disfarces (se referindo também possivelmente às táticas de guerra - armadilha - e aos uniformes dos soldados - disfarces). Diz para se afastar do abismo (guerra, afinal, ela é um abismo interminável de malefícios sociais e falta de humanidade) e fazer do bom-senso a nova ordem, se referindo à fazer realmente do bom senso, a lei mundial, ou de forma irônica, aos EUA por ter como a "Nova Ordem" um dos lemas (estampados, como muitos sabem nas cédulas de dólares).

Refrão:
"Não deixe a guerra começar".
Uma frase simples, apenas cinco palavras que podem fazer a diferença se todos nos unirmos. Todos temos o poder de impedir a guerra e não devemos deixar ela começar, afinal, os malefícios de uma forma ou outra (direta ou indiretamente), se voltam para todos nós.

Diálogos em Francês e Inglês:
O que faz dessa música diferente de outras da Legião, é o conter de outros idiomas dentro de sua estrutura. Apesar de breves, são notáveis os diálogos em inglês e francês, que podem se referir à Guerra dos Cem Anos, Guerra dos Sete Anos ou os Conflitos Napoleônicos, Segunda Guerra ou outros conflitos que se perdem na história.

Segunda Parte:
Renato novamente dá a dica:
Diz à terceira pessoa que é para ela pensar "só um poucos", e que não há nada de novo. Mostra que ela "vive insatisfeita e não confia em ninguém". Esse ponto, pode ser levado metaforicamente à países de guerra: Vivem insatisfeitos e não confiam em ninguém, não acreditam em nada e só tem cansaço de tentar e tentar e a falta de vontade de mudar algo dentro de si. Eles agem contra suas leis, desumanizando um mundo que deveria ser de paz.
Pegando em armas pra pregar uma paz interna e fazer moral externa.
Que bom seria, se eles (países ou até o meio social), pudessem fazer do bom senso, a nova ordem!
Análise e escrita: Eduardo Rezende


Quando comecei o blog, esperava por esse momento.
O momento de analisar uma das mais críticas músicas da Legião; uma das minhas músicas preferidas dentre as críticas e uma música que deveria ser considerada o "hino nacional" para e por todos nós brasileiros.
"Perfeição" é o retrato, literalmente perfeito, de uma nação com características tão negativas como a pátria amada, idolatrada, Brasil. É a música que é apresentada em "O Descobrimento do Brasil", sendo ela, a última música à contar com videoclipe, sendo ele, considerado o mais bem feito da história da banda que influenciou uma onde pessoas; uma verdadeira legião de mentes críticas.
Perfeição se abre com um ponto direto e crítico, que não merece nada profundo, apenas um reforço em seus contornos. Perfeição se abre como uma cortina, para o espetáculo de tragédias verde-amarelo, abrangendo a situação do Brasil e de todo o mundo. Os problemas são universais.

Vamos celebrar

A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...

Vamos celebrar

A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...

Dividi a música em partes, contando cada uma com uma dupla de estrofes.
A primeira parte, assim como toda a música, apresenta de forma irônica o contexto de "satisfação" com os malefícios sociais. Renato, em um campo de flores, convida cidadãos brasileiros à se levantarem e celebrar a estupidez da espécie, a estupidez das nações, celebrar a estupidez de um país sujo e a corja de cidadãos mascarados. Pede para celebrarmos a estupidez de um povo - como um todo - a polícia incapaz e uma televisão alienadora, celebrar a incapacidade do governo, e o estado que não é nação. O Estado que não contribui para seus habitantes.

Celebrar a juventude sem escolas

As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades

Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...

Renato, agora num cenário um pouco mais monótono e meno
s agitado, levanta a voz e pede por celebrações para uma juventude sem escolas, pela vida - ou falta dela - de crianças, e da desunião de uns com outros embaixo de uma árvore. 
Pede para celebrarmos a personificação do amor, a personificação da morte, a personificação de fertilidade, e o deus da morte, Hades.
Pede para celebrarmos "nossa tristeza", celebrar a "nossa" vaidade.


Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...

Vamos celebrar nossa justiça

A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E sequestros...

Renato, mais uma vez, de forma irônica, mostra a estupidez dessa nação quando diz "comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado", se referindo ao pão-e-circo que temos todos os fevereiros com a presença do Carnaval, e os problemas que ele acarreta, como os mortos nas estradas e os mortos por falta de hospitais - abrindo duas críticas: a primeira pela superlotação, de tantos acidentes ocorrendo, e a segunda, como é dito, por não haver muitos hospitais. Ironiza o termo "justiça", nos dando a referência dessa justiça injusta ("Baader-Meinhof Blues"), fala da ganância e a difamação. Celebrar os preconceitos, o voto dos analfabetos e outros problemas expostos ironicamente e bem colocados diretamente. 

Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...

Vamos celebrar a fome

Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...


Vamos celebrar "nosso castelo de cartar marcadas": Celebrar os problemas e as respostas que já são óbvios e armados; o trabalho escravo, o "pequeno" e fechado universo próprio do meio social. 
Interessante citar, que o termo "hipocrisia" quando cantado no clipe, é seguido do ato de Renato baixar os olhos para o livro que carrega consigo, provavelmente uma bíblia, dando a ideia de hipocrisia religiosa, a pior espécie da hipocrisia: Onde o amor deveria sera prioridade, a disputa por fiéis e por "quem está certo ou errado" se torna o alvo do primeiro patamar. "Festa do torcida campeã", referindo-se ao futebol e ao pão-e-circo de uma mídia que robotiza pessoas e as cega diante de tantos problemas.
Ainda de forma irônica, celebrar a fome, o "não ter à quem ouvir" e "não se ter a quem amar", referindo-se à falsidade das pessoas e não necessariamente a presença (ou a falta dela) dessas pessoas em seu meio.
Vamos alimentar o que é maldade, "colocar lenha na fogueira"; vamos machucar o coração, "maltratar, pisar e esfarrapar o sentimento alheio".

Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...

Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...

"Vamos celebrar nossa bandeira, nosso passado de absurdos gloriosos":
Vamos celebrar nossa pátria, desse verde que simboliza as matas, que foram devastadas, cortadas de ponta à ponta, desde 1500, fazendo a madeira ser exportada do solo brasileiro; celebrar esse amarelo, que simboliza as riquezas naturais e o ouro, que foram extraídos em outrora para abastecer um comércio externo, fazendo os reais brasileiros, nativos da terra de "solo fértil", ficar sem o que era seu por direito; celebrar esse azul que simboliza a paz que jamais tivemos e a pureza do seu céu, que antes era limpo, e hoje é cinza, poluído cada vez mais ("Fábrica").
Celebrar tudo o que é gratuito e feio, que se tornou "normal" perante todos nós, desde às sete da manhã até as dez da noite, onde a moral e os reais sentidos foram invertidos e convertidos em seus opostos.
Vamos cantar juntos um choro de apelo, que é o hino nacional. Um só grito que pede por mudanças - mais do que urgentes, nos quatro cantos do Brasil.



Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom-senso
Nosso descaso por educação

Vamos celebrar o horror de tudo isso
Com festa
Com velório e Caixão
Está tudo morto, enterrado agora
Já que também devemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção

Vamos celebrar todas as ironias contidas na música, com festa, com velório e caixão, afinal, toda a moral e os reais valores humanos, estão mortos e enterrados pela presença do comodismo e o "não querer mudar", que as novas gerações trouxeram enraizadas dentro de si.
Vamos celebrar, já que a vida é uma ironia, uma inversão de valores, e uma confusão. Uma catástrofe. Vamos celebrar a estupidez, de quem acredita que a ironia contida na música, é a verdadeira "moral" que se deve ensinar. Vamos, já que também podemos, celebrar a estupidez de quem canta essa canção, não levando ao lado irônico, mas ao lado firme, de que as crianças devem ficar sem escolas e que deve-se continuar com a falta de hospitais. O horror de quem veste a camisa para os horrores da humanidade.

Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão...
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é perfeição!...


Renato convida uma terceira pessoa (eu, ou você, ou ele) ou terceiras pessoas (nós, revolucionadores, críticos e pessoas que se cansaram dessa mesmice), à irem com ele.
Diz que seu coração está com pressa (a pressa da mudança, a pressa de coisas novas), que quando a esperança está ausente, só a verdade o liberta, ou seja: quando tudo está perdido, só os fatos o deixam livre (Quando tudo está perdido, ele enxerga uma luz - "A Via Láctea").
Renato convida para um lugar onde o amor tem sempre a porta aberta, e diz que o futuro recomeça, comparando-o com a chegada da primavera (a estação de "renovação" e "mudanças", onde entra novamente Persephone). O futuro recomeça, e chama para o que vier, e o que vier será perfeição.
O fruto dos erros, são mentes desconfiadas.
Mentes desconfiadas criam revoluções.
Revoluções criam mudanças.
Mudanças causam ajustes.
Ajustes causam perfeições.

No clipe, e até num contexto de interpretações de fatos, imagino que as flores, simbolizem a pureza, e que nessa sociedade utópica onde não haveria "maldade e ilusão", e onde as comemorações seriam pelas verdadeiras virtudes e atos humanos (não as ironias contidas na música, mas o seus opostos), as pessoas simbolizassem as flores, que no fim não são despedaçadas, por justamente estarem puras. As pétalas, que são jogadas ao longo do clipe, são simbolizações de "pessoas partidas", uma vez que pétalas constituem flores, e se flores são pessoas, pétalas, seriam partes delas. Um jardim, seria um coletivo, essa sociedade utópica, esse lugar, "perfeito", que Renato menciona no fim da música, além claro, das flores serem símbolos da primavera, e a primavera, o resultado da mudança.
No fim do clipe, nos últimos segundos, Renato aparece pela segunda vez (ambas brevemente), modificando uma espécie de jogo sobre uma mesa com globos, como se fossem estratégias ou algo parecido com uma cara satisfeita.
Perfeição é um hino para uma geração que não deve se calar.
É a obrigação de jamais ser seguida, mas sempre ser criticada.
É o fato de nos tornarmos menos alheios, e mais presentes socialmente, que nos faz sermos menos alienados e mais críticos. 


- Eduardo Rezende: análise, interpretação e texto crítico. 



"Perdidos no Espaço" é a quinta faixa do primeiro álbum da Legião Urbana (cujo nome é o mesmo).
Tem uma letra simples e com alguns pontos duplos de sentidos. Levarei ela, nessa postagem, para um lado mais racional e menos simbólico. Algo que julgo ser direto e sem muitos desvios. Segue-se a letra e sua análise:


Escrevi prá você e você não respondeu
Também não respondi quando você me escreveu
Anotei seu telefone num pedaço de papel
E calculei seu ascendente no recibo do aluguel.

Esqueci seu sobrenome,
Mas me lembro de você.

Sempre imaginei essa música, um amor jovem, levando em conta a fase com que os integrantes estavam.
O orgulho fala mais alto nessa relação. Ele escreve pra ela, e ela não responde, e quando ela escreve, ele não responde. Renato faz uma rima com o fato dele anotar o telefone dela (ou um outro "ele" na relação. Ela-terceira pessoa), e diz calcular o ascendente no recibo do aluguel.

E a rotina crescia como planta
E engolia a metade do caminho
E a mudança levou tempo por ser tão veloz
Enquanto estávamos a salvo

Ficamos suspensos,
Perdidos no espaço.

Renato faz grandes comparações nessa música.
A rotina crescia rápido, e por isso, perdiam tempo (esse caminho, levado pro lado do "tempo"), e a mudança levou tempo, por ser tão veloz, talvez pelas pessoas terem feito tudo de mal jeito, o barato saindo caro, "enquanto eles estavam à salvo", estavam alheios, suspensos, perdidos no espaço. Fazendo o que uma geração jovem faz de melhor: não se importar e não querer estar à par de nada, se interessando apenas com suas próprias coisas.  Um outro ponto que podemos colocar aqui, em comparação, seria o "planta". Pode-se referir também à maconha - sabendo da juventude de Renato e seus amigos.

Escrevi prá você e você não respondeu
Também não respondi quando você me escreveu
Anotei seu telefone num pedaço de papel
E calculei seu ascendente no recibo do aluguel.

Esqueci seu sobrenome,
Mas me lembro de você

Aqui é repetido novamente as mesmas palavras.
A ultima estrofe dessa parte, é interessante pra compararmos com a juventude:
Ele esqueceu o sobrenome da outra pessoa (lembra o nome, afinal anotou o número no pedaço de papel) mas se lembra dela - pessoa. Pra vermos como há detalhes irrelevantes, pra notarmos como o exterior é mais importante que o saber de um sobrenome ou outras coisas. Sabemos até então, que ele sabe o dia de aniversário da pessoa (calculou o ascendente), sabe o nome (por justamente anotar) e o número dela.

E era como se jogassem Space Invaders
Perdendo mais dinheiro de muitas maneiras
Vivendo num planeta perdido como nós
Quem sabe ainda estamos a salvo?

Ficamos suspensos
Perdidos no Espaço

- "E era como se jogassem Space Invaders" :: Space Invaders foi um dos jogos eletrônicos mais famosos de todos os tempos, além do fliperama, ganhou uma versão para o antigo Atari. O objetivo era matar as naves inimigas que queriam pousar na terra, onde você estava, atirando neles que desciam cada vez mais rápido. "Space Invaders" seria o modo de se divertir, lembrando "A Dança", de uma juventude que tem seus objetos que são símbolos em suas gerações.
"Perdendo mais dinheiro de muitas maneiras", afinal tinham que gastar o dinheiro nas máquinas pra poder jogar. Perdiam dinheiro jogando, bebendo, fumando... Tendo uma adolescência que tiveram.
"Vivendo num planeta, perdido como nós", essa parte apresenta um descontentamento com o mundo, e a realidade de "perder-se" no mundo, que eles tem. A vida perdida que eles tem no mundo, e que o mundo apresenta para eles.
Quem sabe ainda estão à salvos?
Quem sabe ainda podem sair ilesos desse Planeta perdido, ficando suspensos, perdidos no espaço? Quem sabe não saem puros de um mundo sujo, ficando alheios aos seus problemas? São tão jovens...


Análise e interpretação: Eduardo Rezende