É com peso na alma e uma lástima impagável, que deixo o recado de que O Livro dos Dias ficará sem postagens durante bom tempo.
Durante meses e meses, me mantive ao outro lado do computador postando mensagens e descodificando letras de grandes autores, e no princípio, de Renato Russo junto à Legião Urbana.
É com enorme peso que deixo a mensagem de que o blog passará por um período de estiagem, pois minha vida pessoal e compromissos impedem a continuidade do trabalho. Poderia simplesmente desativar o blog, mas excluir um trabalho que me consumiu tantos momentos, seria suicídio.
Um agradecimento especial aos leitores de sempre, que acompanharam o trabalho durante tanto tempo.
O real agradecimento aos que sempre estiveram à par das atividades,
Força Sempre.

Eduardo Rezende.


Incrível a capacidade de mestres como Chico Buarque de conseguirem colocar a crítica tão explícita ou disfarçada e passarem a mensagem. Chico, que já vem com suas raízes da bossa, de uma MPB regada ao samba, consegue com excelência fazer suas críticas em diversos personagens que cria e que personifica uma característica, pecaminosa ou virtuosa, que nos faz percebermos o quão mesquinho é nosso meio e o quão corrompido somos.

Contando com a participação de diversos artistas, a Ópera do Malandro é um álbum de Chico lançado em 79. O disco traz músicas do musical homônimo, de autoria de Chico Buarque, baseado na Ópera dos Mendigos, de 1728, de John Gay, e na Ópera dos Três Vinténs, de Bertolt Brecht e Kurt Weill. O musical estreou na cidade do Rio de Janeiro, em julho de 78 e foi recriado na cidade de São Paulo, em outubro de 79, ambos sob a direção de Luiz Antônio Martinês Corrêa.
O filme Ópera do Malandro estreou em 86, sob direção de Ruy Guerra, baseado no musical. A trilha sonora do filme foi lançada também em 86.

O disco traz a diversas histórias e em especial uma moça.
A moça, se chama Geni, mas nem sempre teve este nome, e nem sempre é reconhecida como tal.

 
Namorando o corpo de todos os negros tortos, deficientes, do mangue ao cais do porto, ela se prova de corpo dos errantes, cegos e retirantes e de quem nada tem.
Desde cedo, mostrando uma tênue fineza especial e desvio ao sexo, Geni dáva-se na cantina, na garagem, no tanque e no mato. Considerada a rainha dos detentos, das loucas, dos lazarentos e demais doentes e dos moleques do internato; dando-se até aos velinhos sem saúde e às velhas sem porvir, mostra-se uma prostituta do mais alto nível, flexionando-se para todas as situações.
Um poço de bondade, cuja a cidade repete as ordens de escárnio e zombação. "Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!".
Todos os dias, vendendo-se por prazer alheio até o cansaço, Geni aguentou os xingamentos da cidade. Um dia surgiu dentre as nuvens, um brilhante e flutuante zepelim, que pairou sobre os edificios abrindo diversos buracos no céu com seus canhões, impondo medo.
A cidade, apavorada, se quietou paralizada, pronta para se tornar destroços, mas do mesmo zepelim, desceu o comandante que disse ter mudado de ideia  ao chegar. Ao ver Geni, mudou os planos: já não queria destruir as casas ou prédios, por tamanho horror ou iniquidade, mas ao ver uma dama, uma formosa dama, não resistiu. Poderia seus planos mudar, se aquela moça a ele servisse.
"Essa dama era Geni! Mas não pode ser Geni! Ela é feita pra apanhar; Ela é boa de cuspir; Ela dá pra qualquer um; Maldita Geni!".
Mas de fato ela, tão coitada, simples, singela e frágil, também tinha os seus caprixos! Da mesma forma que ele gostaria de ter o prazer com seu corpo, formoso e belo, ela gostaria de amar pessoas como ela, de caráter animalesco, animais socializados, bichos, nojentos. Não gostava do brilho e do cobre, gostava do ofusco e do fedido. O erro estava na situação: havia cativado o forasteiro!
Após a cidade ouvir seus lamentos - e seus enfurecidos nãos - todos, em romaria, foram beijar as suas mãos. O prefeito (de joelhos), o bispo (de olhos vermelhos) e o banqueiro (com dinheiro), foram até a sua casa para que ela lhes salvasse.
"Vai com ele, vai Geni! Vai com ele, vai Geni! Você pode nos salvar! Você vai nos redimir! Você dá pra qualquer um! Bendita Geni!".
Após tantos pedidos, tantos lamentos e lágrimas, Geni se sentiu na obrigação de salvar seu povo. Sinceros e sentidos pedidos, fez Geni pensar em todos os seus erros, mas dominando seu asco, em uma noite lancinante, entregou ao amante, como dando-se ao carrasco - por ódio, medo e nojo.
Com seu corpo, o homem fez sujeira, lambuzou-se a noite toda até ficar saciado, e antes do amanhecer, com seu zepelim, partiu da cidade.
Geni, acordou com os primeiros raios do dia, e ao ver-se sozinha, virou de lado e até tentou sorrir. Mas nem bem amanhecia, a cidade em cantoria, não deixou ela dormir...
"Joga pedra na Geni! Joga bosta na Geni! Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra qualquer um! Maldita Geni!"

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Geni foi corrompida por toda a sua vida. Desde cedo, em uma vida sofrida, assumiu a profissão fácil de ganhar dinheiro sentindo prazer. Amava o que fazia, e amava o perfil de quem fazia. Amava os pobres, os sujos, os humilhados. Amava pessoas como ela.
Geni sempre fora a vítima do meio social, e quando houve o medo por parte de todos e ela era a única salvação, eis que em romaria todos a procuram. Ela os salva, e no dia seguinte, volta a ser a culpada por uma vida que todos desprezavam. Geni são todos os que um dia serviram para alguma coisa.
Texto e análise: Eduardo Rezende


Em Brasília, no puro tédio que atormentava todos os filhos de bancários, políticos, importantes ou demais burgueses, haviam drogas, músicas e rebeldia.
Sem ter onde explodir, os jovens acatavam aos desejos dos prazeres instantâneos e apelavam para burrices de vandalismo. Haviam os vândalos de boa consciência, que apenas quebravam os bons costumes com a classe dominante. Pasmem: eles surgiam da mesma.

Formada a Turma da Colina, jovens brasilienses como Renato Russo (na época, em Aborto Elétrico), Dinho Ouro Preto, dentre outros amigos, favoreciam o solo brasileiro com a marcha ao Rock. Junto à eles, Philippe Sebra, Gutje, André X e Jander Bilaphra, dando origem à Plebe Rude, que como todos os outros músicos adolescentes da época, tinham tudo nas mãos, mas queriam ser mais... Queriam fazer a diferença, ignorando o mundo que viviam e querendo melhorar aquele ignorado pela TV.


A música começa com Philippe alterando seu tom de voz e afirmando que a culpa de ter nascido com a benção de um berço de ouro não é dele. Nascendo em boas condições, com a benção de dinheiro na frauda, não é culpa dele - nem dos que compartilhavam a mesma realidade -, mas isso não é desculpa pela má distribuição. Nascer rico não ignora o fato de haver gente passando fome.
As vozes ao fundo afirmam o pensamento dos que ainda lutam e insistem pela Esquerda: "Com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração?". Interessante ouvir isso, nos faz pensar realmente com o lado socialista que muitas vezes deixamos de lado, ignoramos, menosprezamos ou xingamos e não percebemos a profundidade disso. Com tante gente ganhando mais, cadê a igualdade, a justiça de oportunidades? "Até quando esperar?"
Prosseguem perguntando onde está a esmola que dão sem perceber (a Mais Valia: se eu trabalho dez horas e recebo o equivalente ao trabalho de oito horas, logo trabalho duas horas a mais para enriquecer o burguês patrão). "Aquele abençoado poderia ter sido você". Referência novamente às oportunidades. O abençoado, o patrão, o burguês. Ele teve o "acaso", ou "sorte", ou "predestinação" (se preferir), de ter nascido com essas oportunidades. Por que nós não? Por que a oportunidade não nos é dada?
"Até quando esperar a plebe ajoelhar, esperando a ajuda de Deus", essa pergunta é o mais interessante de toda a música. Não se sabe se perguntam aos burgueses: até quando esperam que iremos ajoelhar e esperar alguma ajuda divina para conseguimos melhorar?, ou se perguntam à própria classe proletária: até quando vão continuar se ajoelhando e esperando um ser invisível tomar suas atitudes e lutar pelas suas justiças? A liberdade está em ser rebelde, e ser rebelde é conquistar direitos, justiças e igualdades.

"Posso
Vigiar teu carro
Te pedir trocados
Engraxar seus sapatos"

Acima está o apelo do proletário para tentar ter alguma coisa.
Vigiar o carro do burguês. Pedir esmolas ao burguês. Engraxar os sapatos do burguês.
"O mundo esteve em constantes lutas de classes" diria Karl Marx, e nunca mais do que certo.
Filhos de ricos (poderiam até ser chamados diretamentes de ricos, mas a riqueza jamais veio pelo esforço individual de cada um), que faziam músicas para outros filhos de ricos, falando das desigualdades dos pobres, dos problemas dos pobres e dos anceios dos pobres. Filhos de ricos (que nascem com a bênção), pedindo as desculpas por um erro que vem apenas de um sistema mudo que esquece sua classe trabalhadora.

E ai dos machados e martelos que um dia ainda se levantarão.


Demorei.
Demorei para escrever no blog e até mesmo analisar alguma música neste mês. A correria ultimamente tem me impedido de fazer várias das coisas que gosto. O tempo para ler, inclusive está escasso.
Demorei também para poder ir ao cinema, e quando fui, me preparei para um dos filmes que mais esperava ver este ano - depois de Faroeste Caboclo, que finalmente irá sair - e após sentar-me na poltrona, me emocionar com os primeiros sinais de que a grande obra, Somos Tão Jovens, que iria começar.

Aos leitores que já assistiram, de grande valia foi ver a real apresentação de Renato Russo. O Por Toda a Minha Vida, realizado pela Rede Globo há anos atrás - ainda era criança quando o ocorrido - retratou por cima toda a vida, e repito, retratou a vida toda.
Somos Tão Jovens de fato retratou a juventude. Esperava mais ao pensar que encontraria, como em Cazuza, O Tempo Não Pára, desde a juventude, até os últimos suspiros do recém descoberto soropositivo. Vale ressaltar, claro, que a Mãe de Renato, a preservadora de todo o arquivo histórico, pediu para "pegarem leve" e não retratarem as questões de drogas em abuso ou relações, ou a questão da Aids ou qualquer outro meio que "influenciasse os jovens". Claro que quando Renato dizia, "as pessoas bebem minhas palavras" jamais se referiu à querer seguir seus passos, mas creio que ressaltar a real vida que o mesmo teve, teria um peso maior.

Sobre a juventude...
(Não fugiu do livro Renato Russo, o filho da revolução). O maior ponto em todo o filme e ao meu ver o mais importante. Ressaltou-se muito a questão do tédio em Brasília e que desta forma os jovens de classe média (média alta e alta, também), sem ter o que fazer, exportavam costumes e criavam bandas. Acho válida até a questão de como mostraram um Renato ativo socialmente e popular dentre os diversos grupos jovens. O Renato tímido se mostrou extrovertido no círculo de amigos e recatado em todos os outros meios. O típico que nos é retratado e encenado com perfeição.

Sobre as drogas...
Acho importante ressaltar que ao mostrarem a questão de "filhinhos de papai" usarem a droga e serem liberados, e os outros, sem a devida credencial - de filhos de diplomata, bancários, políticos (...) - conseguirem passar, mostra o quão preconceituoso era o sistema e o quão seletivo, e da mesma forma, nota-se uma crítica muito bem elaborada e feita com grande perfeição. Sem dúvida a cena da Rockonha foi uma das mais impactantes e críticas.

Sobre o Aborto...
Com grande importância isso foi mostrado. Levaram um lado "Aborto Elétrico" que poucos conheciam ou imaginavam. Foi válido, claro, mas deixaram muito preso o lado jovem nisso e quando finalmente a Legião iria ser mostrada, os versos de Será encerraram o filme e a cortina foi fechada.

Claro que não sou ninguém para criticar a obra, e nem a critico, achando, claro, que foi feita com grande carinho e muito bem feita. Apenas acho que se prenderam a juventude fazendo jus ao nome escolhido - que pelo menos então acabassem o filme com esta música (apesar de acabar com a cena do show em que cantam a primeira música de maior sucesso da banda). Os maiores elogios creio eu, vão ao elenco mais do que perfeitamente selecionado. Excepcionalmente, claro, à Thiago Mendonça que com excelência fez o papel do mestre...

Quando Renato dizia que a "verdadeira Legião Urbana" somos nós, jamais pensei o peso que isso teria. Nos versos de Química, Tédio (Com Um T Bem Grande Pra Você), Fátima e Veraneio Vascaína - nota-se portanto as músicas de inicio da carreira, do punk e relação Aborto-Capital-Legião, que vi que esta geração existe, quando outros também cantavam baixinho. O filme foi o que imaginava, não deixando à perder em nenhum ponto e nem melhor do que imaginei que seria - apesar de ainda achar que poderiam ter pensado mais na relação Legião Urbana.

Renato deve ter ficado feliz, me senti feliz ao ver um grandioso trabalho feito à este nível.
Renato, com toda a certeza, foi mais do que bem homenageado.


(O blogueiro e dono do artigo, em momento algum se põe no lugar de crítico cinematográfico ou qualquer coisa do gênero. Coloca apenas sua opinião como um leitor das obras baseadas na vida de Renato, ouvinte da banda e principalmente administrador da página que teve por inicio, a análise musical da mesma).

Texto de Eduardo Rezende. 


Acho curiosa a forma com que as bandas brasileiras retratam a sociedade.
Nem sempre falam sobre si, e nem sempre falam sobre seu meio. Legião Urbana tinha o dom impecável de transmitir a realidade e criar personagens para transpassar a ideia contida em uma música. Ora simples, ora complexa, as músicas chegam e nos passam morais de personagens vistos ou inventados ou até mesmo vividos.
Engenheiros do Hawaii conseguem passar a moral embutida na política. Com críticas acirradas ao sistema capitalista e com leves tendênciais socialistas e as vezes o oposto e as vezes mais do que o oposto, passam morais andando junto à criticidade de um sistema e não de uma cultura (como a Legião Urbana), nem de uma fase (como Chico Buarque) ou de atitudes (como Pitty e Capital Inicial). Como tudo tem seus dois lados, Engenheiros conseguem tratar além das críticas, o sentimentalismo. Segue-se abaixo uma das minhas preferidas quando o assunto é crítica na voz de Gessinger.


Gessinger começa sua letra dizendo que presta atenção à tudo o que eles (esta terceira pessoa do plural, se referindo aos poderosos), dizem, mas eles não dizem nada.
Menciona Fidel (Fidel Castro, o revolucionário cubano) e Pinochet (Augusto Pinochet, ditador cubano), tiram sarro desta geração que não se rebela contra injustiças, que não faz nada para a melhor, não muda suas escolhas e tão pouco os rumos e passos lentos de revolução do seu país.
Aos poucos, a alienação se torna tão grande e a acomodação se torna tão normal, que é normal inclusive, crer que seja simples um boçal atirar bombas na embaixada, achar normal pessoas ignorantes fazendo a revolução armada. Toda a forma de poder é uma forma de morrer por nada, a frase que resume exatamente o que a música quer retratar. A frase que diz exatamente o que acontece desde a esquerda extrema até a direita extrema, mesmo quando não houver poder, haverão poderosos, que farão os ouros morrerem para não perder o que têm, e eis que surge todos os movimentos políticos, porque toda a forma de conduta se transforma numa luta armada. Jamais irá se agradar à todos e a tudo.
O pior é saber que tudo isso acontece. Que todas as revoluções poderiam ser feitas, e todas as greves e vozes capazes, poderiam mudar tudo. Se saíssem da teoria e se unisse à prática, mas a "história se repete e a força deixa a história mal contada", os problemas sempre se repetem, e a ganância, o orgulho e o desejo de ser mais sempre falarão mais alto, e o mesmo fracasso se repete por páginas e páginas desbotadas ou com sangue.
Os últimos versos falam por si, tal como a letra toda, que além de ser bem estruturada, consegue passar sua crítica apenas se contendo à uma interpretação, digna apenas de uma análise superficial.

"E o fascismo é fascinante deixa a gente ignorante e fascinada.
É tão fácil ir adiante e se esquecer que a coisa toda tá errada.
Eu presto atenção no que eles dizem mas eles não dizem nada".

Claramente, a letra mostra que através das propagandas fascistas, o modo de governo se torna fascinante e deixa as pessoas em fascínio pelo fascismo, e é tão fácil esquecer o que acontece e ir adiante, pular etapas e não pensar que o esquema político (não apenas do fascismo, mas de toda a forma de poder, que é uma forma de morrer por nada) e o cenário estão errados, mas não resolve, pois tentamos achar pistas, tentamos fazer a revolução, e por mais que tentamos não conseguimos. Tentamos entender o erro e trazer pra nós a essência dos problemas, vendo fatos e analisando corretamente, tentando fazer a revolução... Tentamos nos esforçar para crer na política, para achar a solução... Prestamos atenção ao que eles dizem, mas eles não dizem nada...

"Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer tudo que eu vi
Se tudo passa, talvez você passe por aqui
E me faça esquecer..."

Eduardo Rezende, texto e interpretação. 


Ao lado de três grandes artistas (Martin Mendonça, Duda Machado e Joe), Priscilla Novaes Leone - Pitty Leone - conseguiu dar novas vertentes à nova geração do Rock Nacional.
Pitty, com um jeito próprio de uma velha novata, surpreende em todos os seus novos discos e shows.
Com a banda que começou em 2003, a banda já contou com inúmeros shows, incontáveis prêmios e participações. A banda tem grandes músicas, as críticas - minhas preferidas e as que gosto - são recheadas de realidades atuais e com inúmeros pontos interessantes de se analisar. É talento nos instrumentos, na voz e na mente. Dá-lhe tantos talentos que a banda sempre se supera...



Num sonzinho que começa vazio e desconexo, até a alta súplica das guitarras junto à bateria, começa uma voz. Uma voz aveludada, que canta como se não quisesse ser ouvida...
"Brinquedo Torto", da banda Pitty, é uma letra muito crítica e muito forte, quando desprovida de seus simbolismos e analisada profundamente. É a dominação e o dominado, é a prostituição e o jogo dos corpos... É o ato sexual com meninas que são apenas, um brinquedo jogado, esquecido e abandonado, num mundo frio, negro e torto.
Um narrador na primeira pessoa. A cantora se torna prostituta.
Nas ruas, a personagem encontra-se como um pino. Um peão num tabuleiro, vestido de dama, defendendo-se com a crença de um bispo, com as armas de um cavalo e com a força de uma torre. A personagem esquece-se das regras do jogo, do jogo social, do jogo da vida, e sente que não pode mais jogar. Sente-se descartada, porque veio escrito na embalagem, "use e saia pra agitar" (uma alusão aos preservativos, talvez? Ou apenas dizendo que na embalagem do seu jogo, veio escrito que ela é só mais um objeto, usado justamente para se descarar após prazeres?). "Vou com os outros pro abate, o meu dono vai lucrar", ou o mesmo que "sou um animal", "irei para a morte" e assim, "meu patrão irá lucrar" (sou apenas um objeto sem objetivo algum, usado pra ser usado e mandado por alguém mais forte - na língua das prostituição, os cafetões e cafetinas), seja cedo, ou seja tarde, quando essa realidade vai mudar? Quando este peão realmente irá cair? Quando terá a chance de dar seu xeque-mate, encurralando os reis das ruas e prostituições, os donos de seu corpo?
Dizer "eu te disse", não muda em nada! Se o corpo se transfigura ("se eu explodo meu violão"), não há nada pra se fazer, abortos? Drogas? Não importa! A carne foi feita pra ser carnal. E apesar da realidade de ser dura ("isso é tão desconfortável"), ensinaram-a a fugir desta realidade, e e ela for derrotada (se o peão realmente cair), não se há como defender...
... Ela já se entregou. Ela se vende como um brinquedo torto, como um objeto quebrado, como uma peça em importância. Ela se vende como uma estátua, sem sentimentos e sem noções. Ela se vê como um brinquedo torto, apenas mais um, em meio à tantos lixos. Ela e vê como uma estátua, apena a mudez à consome além dos vícios.

Análise e texto: Eduardo Rezende


Os Paralamas do Sucesso foram a estampa do Rock Nacional. 
Com o mesmo destino, de gênese brasiliense, desde cedo Herbert - o vocalista, guitarrista e principal compositor dos Paralamas - se interessava pela música e pelo intelecto  Com a adolescência próxima ao som da rebeldia velada pelos adolescentes, Herbert cresceu e se tornou uma das grandes vozes, grandes mentes e grande história do rock verde-amarelo. 
A banda foi formada no Rio de Janeiro no final dos anos 70, e dentre tantos marcos na vida pessoal de cada um, individualmente os integrantes conseguiram casar ideias e formar ótimas músicas: musicas românticas e simbólicas, cheias de entrelinhas e recheadas de poesias. 
Uma das grandes fases negras do rock - já fugindo das outras bandas e indo nesta, em questão - foi num ano depois da virada do milênio. Em 2001, um acidente faria Herbert se limitar à cadeira de rodas e marcaria profundamente a sua história, interromperia seus passos e sua memória, limitaria sua vida e seus sentimentos... 




Herbert Vianna, apaixonado por helicópteros e ultraleves - gosto talvez adquirido pela profissão militar do pai - e também apaixonado pela jornalista Lucy Needham, quase perdeu a vida em quatro de fevereiro quando pilotava um ultraleve que caiu no mar. Herbert segue palavras (perdidas na memória) e busca estrelas ("quem morre vira estrela", busca direção), pra entender o que é que o mundo fez pra sua amada ir de forma tão trágica e entender o porquê de sua alegria durante toda a vida ("rir assim"), e de repente o mesmo mundo do qual sua amada fazia parte e que a fazia tanto rir, já não a tem em seu meio social. "Pra não tocá-la, melhor nem vê-la", pra não sentir sua ausência e a vontade de querer senti-la junto de si, melhor não vê-la na memória, pois ainda se pergunta "como que ela pode se perder" dele. Faz frio (ausência do calor dos sentimentos) e faz tempo, que sua amada se perdeu dele. Ele sente vontade de tê-la e busca semelhanças em outras pessoas em vários lugares, em ruas e outdoors pela avenida, mas as pessoas, que na verdade não à são, não entendem. Na verdade poderia ser ela, mas ela não vê. Ele fica acordado noites inteiras, angustiando-se e chorando, sentindo que os dias parecem não ter mais fim...
Herbert cita "esfinge da espera", levando em conta que as esfinges remetem ao enigma, seria o enigma da espera, o enigma da esperança fica em cima dele, e ele sente falta, pois sente que parte do seu mundo se perdeu, e mesmo sabendo que ela pode estar presente, ela não está. Seus olhos não estão, fisicamente, ali. Ele já não consegue não pensar nela. E o que pensa, é a memória, que todos nós, que já enfrentamos a morte, sabemos ser das noites acordados, juntando pedaços de uma vida, juntando retratos da memória. 


Análise e texto: Eduardo Rezende 


Nos anos oitenta, a efervescência de músicas agitadas e de letras mais simples tomaram conta junto às de letras mais sofisticadas e recobertas de simbolismos. Críticas ou despojadas, as músicas ganhavam sempre espaço em rodas de violão, e até hoje, toda a roda de violão que se preza - que toca alguma música boa - ainda relembra os passos de Capital Inicial, Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Cazuza e Barão Vermelho, Ira, ou outras bandas.
Eis também que surge Natália (música da Legião Urbana), Ana (de Refrão de Bolero - dos Engenheiros), Anna Julia (Los Hermanos), Bete (Balanço - do Cazuza) e com Capital Inicial, surge a menina dos olhos. A senhora das rodinhas de violão, a inspiradora e rebelde Natasha. Cada banda, em suas épocas, com suas meninas. Cada menina, uma personalidade diferente...


E falar de personalidade, ainda mais de Natasha, é covardia! Mais de fases que sua amiga Anna Julia. Apesar de xará (muito complicada mas nada perfeita), Ana Paula, com suas apenas dezessete primaveras de vida, foge de casa, deixando pra trás tudo. Uma vida; seus estudos, sua casa, sua futura carreira ou qualquer indício de vida responsável... Deixa pra trás seus pais, seu namorado, fugindo às sete da manhã em um dia errado (poderia ter esperado mais um pouco, furtado alguma grana, pra comprar um basê ou uma garrafa e fazer folia.
Ana Paula, que se torna Natasha quando cai nas ruas, dá "passos sem pensar". Não quer futuro e não requer responsabilidade. Afugenta indícios de laços e procura soltar suas asas e berrar "liberdade, liberdade!". Vive uma dupla personalidade, a educada Ana Paula, agora já dá passos diferentes, e se faz de outra, em outros dias, em outros lugares.
Natasha deixa rastros de garrafas, cigarros e badernas, acompanhada ou sozinha, sem pensar no futuro ou amanhã, rouba carros apenas por diversão. Seu ego infla com o caos, e com ele, aumenta o seu salto, e modifica seu estilo. 
Seus dias são tão incertos, que pra ela, viver cada segundo, é viver intensamente. Não se aborrece por futilidades, deixou uma vida pra trás! A vida em si já é fútil demais... Natasha só quer se divertir, e faz da sua vida uma diversão intensa... "O mundo vai acabar, e ela só quer dançar", sua vida é feita disso. De passos sincronizados, de música alta no fone de ouvido e de intensos passos... Intensos passos contra a vida, o regrado e o moralmente adequado. E isso é obvio, "pneus de carros cantam".
Natasha é mais do que outra personalidade. Ana Paula tem mais vidas, em todos os sentidos. Tem outras personalidades, e tal como, outras identidades - com carteiras falsas e idade adulterada. Ana Paula tem sede de libido, e é gatuna. O vento sopra enquanto ela lhe dá o golpe, e "desaparece antes que alguém acorde".
Talvez alguém encontre Ana Paula por aí. Talvez não a reconheça por Natasha à ter encoberto.
Ana Paula era uma moça de família, com um futuro promissor, pais amáveis e namorado piedoso. Ela abandonou os estudos, a presente e futura carreira, o seu par amoroso, religião e outras incertezas. Se dedicou ao hoje, ao cabelo verde, à tatuagem no pescoço, se dedicou ao salto quinze, à saia de borracha. Se dedicou à metamorfose Natasha, o mesmo rosto, com marcas diferentes - das drogas ou arranhões de brigas - o mesmo corpo, agora feito pro pecado e não mais abrigo de parte de algum deus.
Eis Natasha, a luta contra o tempo, o ilegal, o proibido. A jovem de vida bela, o paraíso resumido ao comprimido e mentalidade ou incertezas tão pequenas quanto. 

Eduardo Rezende, análise e interpretação 


Confesso que um tanto abalou nos últimos dias a notícia de morte de um verdadeiro poeta. 

Chorão - vocalista e rosto da banda Charlie Brown Jr. - foi encontrado morto em seu apartamento, e como muitos cantores, foi cedo demais. Cedo demais, deixando um legado de músicas boas e estruturadas para uma geração de fãs - embora ainda assim, tenha pego uma parte mais relax da música (sendo sempre críticos ao Sistema, a sociedade e de letras românticas muito bem estruturadas). Confesso ainda que jamais fui grande fã da banda, não é preconceito, tampouco desgosto. Chorão era bom - e muito - no que fazia! Porém meu estilo musical não se enquadrava perfeitamente, embora também confesse que a melodia das músicas se fixavam e me fazia refletir com letras tão boas.
O que importa, e o que desagrada, é que somente em momentos como esse, a banda fará sucesso e conseguirá acessos e vendagens. As tragédias se tornam populares (o vulgo papa é pop).
Chorão, que do outro plano saiba que deixou fãs e admiradores. Dedico a atual postagem como forma de prestígio desse cantor e em especial para os fãs que visitam a página! Chorão, "você deixou (e deixará) saudade".


"Lutar pelo que é meu" é o melhor modo de definir o cara que começou com o sonho de uma banda quando ainda era muito jovem, que ajudou a mãe à vender pastéis e que fazia algo aqui, ora ali, que viu o pai morrer - quando já mais velho - e também se separar da mãe, que por um derrame, quase morreu.
Chorão começa num ritmo compassado dizendo que a gente só passa a entender melhor a vida, quando encontra um verdadeiro amor, e que cada caminho que escolhemos, é porque aquilo no momento é importante e do nosso real desejo, e que o outro lado, se torna uma renúncia. E lidar com isso é duro. Devemos saber aceitar que cada escolha, gera uma renúncia, e lutar para se recompor em cada decepção nos caminhos - que são apenas gerados pelo nosso livre-arbítrio.
Chorão se refere então à sua terceira-pessoa, seja qual for seu caminho, jamais será escuro, porque ele acredita no que faz, e sabe que sempre estará certo (e lutará para estar), e que de qualquer jeito (à terceira pessoa), "o seu sorriso será o seu raio de sol"; sempre iluminará o seu caminho, sempre trará vida às suas escolhas.
"O melhor presente Deus me deu, a vida me ensinou a lutar pelo que é meu". O maior presente que Deus nos dá é o livre arbítrio. O direito de escolha, o direito de pensar em qual caminho seguir, em quê crer ou não crer, sentir ou querer, e o melhor disso tudo, é ter sua vida e fazer suas escolhas. Ou acomodar-se, ou lutar para uma vida melhor, e o melhor presente que Deus o deu, foi poder crer que fez as escolhas certas e lutar pelo que julga ser dele. Batalhar em sua, para sua, vida.
Chorão se veste da simplicidade das palavras e dos termos diretos conseguindo manter o porte romântico. Deseja beijar a boca de sua companheira até ela "sentir vontade de tirar a roupa", pede para poder acompanhar o instinto de liberdade jovial, e pede para ela deixar ele mostrar que a vida "pode ser melhor mesmo sendo tão louca".
Realmente Chorão, você estava certo, só os loucos sabem esse instinto de liberdade e de conhecimento, de que a vida pode ser melhor mesmo sendo tão louca. Chorão deixou saudades e palavras compreendidas, cantadas e ouvidas por quase todos, que em uma geração tão perdida de carência musical, perdeu mais uma estrela. A sociedade nos mata, e você morre deixando palavras completas para um sistema vazio.

Eduardo Rezende, análise e interpretação


Em pleno regime militar, por volta dos 1960, a sociedade brasileira se deparou com movimentos, controvérsias sociais e morais e novos costumes. Eis que surge os primeiros movimentos que dariam origem ao Pop, ao Rock - que levaria ao punk e depois novamente ao rock, onde surgiriam bandas como Legião Urbana, Capital Inicial, Barão Vermelho e Paralamas do Sucesso (e que mais tarde, levariam à outras bandas por influência).
Esses movimentos, muitos até comportamentais, estilizados e inovadores, após causarem espanto, causaram mudanças. O Tropicalismo, surgindo por raízes da MPB e da própria música Pop, pegou influências da bossa nova e do jazz, transportando instrumentos e ritmos à suas letras e músicas evolucionistas e progressistas em um período negro da política e da história.
Com a moral de revolucionar, eis que surgem bandas e cantores... "Os Mutantes", do Rock Psicodélico, a variante do Rock nos anos 60, que trazia um estilo hippie com um ritmo agitado das guitarras, dos gritos e suspiros, das risadas e gargalhadas dentro das músicas. "Os Mutantes" inovava suas técnicas, o rock ia crescendo, e a sociedade mudando com a música e diretamente, com a cultura da época.


"Panis et Circensis" entrou no disco que leva o mesmo nome lançado pelo movimento Tropicália. Escrita por Gil e Caetano Veloso, o ar da voz de Rita Lee - uma Rita com seus quase vinte anos, tocando instrumentos diferentes, além de flautas, banjo e percussão, escrevendo letras e dando um ar mais leve às músicas.
Uma música muito simples, de apenas quatro estrofes, sendo deles, três contendo uma parte interpretativa e outra, menos profunda (mas não menos importante), contendo o refrão.
À começar pelo período, a Ditadura Militar já estava abrigada no Brasil e enraizando suas primeiras medidas. Nada ainda tão sério, surge a música como a distração, e como alerta pra distração do momento.
"Panis et Circensis" - "Pão e Circo" (em latim) - é um recado e um desabafo...
Quando a ouvia, sempre imaginava a comunicação via TV e de repente, tudo fez sentido. O pré-conceito de imaginar que a informação na maioria das vezes vem por imagens acabou me abandonando e vi então, uma mesa, cadeiras, pessoas e pratos; convidados jantando, e um rádio.

Quando uma Rita Lee diz que quis cantar uma canção iluminada de sol - se referindo à uma canção criativa - e que soltou os panos sobre os mastros no ar - talvez uma referência ao patriotismo - e os tigres e os leões nos quintais - defesa, talvez? - e que mesmo assim, as pessoas não lhe deram importância, quis se referir que todos são ocupados demais com os nasceres e morreres sociais. Tanto às novelas de rádio quanto também aos jornais. Todos estão ocupados demais em nasceres e morreres para lhe dar importância.
Em um momento vestindo a carapuça do romantismo e as máscaras do simbolismo. Ao dizer que mandou fazer um punhal de puro aço luminoso para matar seu amor às cinco horas na avenida central, têm-se a impressão de que mesmo fazendo um preparo, um assassinato perfeito, dando trabalho e de qualquer maneira tentar desviar os olhos ou ouvidos de outras coisas, não conseguem... As pessoas na sala de jantar são ocupadas demais em ouvir e ver suas notícias de pessoas que nascem e morrem o tempo todo.
Em um último recurso, já não conseguindo mais gravar músicas para chamar atenção, nem fazer atos bárbaros para chocar, resolve-se plantar folhas de sonho no jardim do solar... Porque as folhas procuram pelo sol (de esperança) e as raízes sabem procurar (os problemas e soluções), mas as pessoas da sala jantar... Essas pessoas da sala jantar! Não fazem nada porque são as pessoas da sala de jantar, que são somente ocupadas em nascer e morrer... Nos nasceres e morreres que a mídia informa (seja ela, como imagino, da rádio - em questão - ou TV). As pessoas estão voltadas ao que os terceiros querem que elas vejam... E elas veem, aderindo ao hábito da velha política mundana, imunda e nada humana, política do Panis et Circenses. De todos os modos, de se alertar, de se dizer, de se proclamar a rebeldia e se divulgar a lei dos que não querem leis, ninguém ouve. Todos estão preocupados demais com as notícias vagas. Todos na sala de jantar estão preocupados demais em não estar preocupados.

Análise e texto de Eduardo Rezende


Agora que já não preciso me prender à análises tão diretas, farei de um modo diferente as interpretações que aqui quero exibir. Serão sempre modificados os autores, cantores e bandas e as músicas irão variar bastante e claro, serão colocadas de acordo com a disponibilidade do meu tempo (que neste mês de fevereiro acabou se tornando escasso e corrido!).
Lembro quando apresentei um trabalho na aula de arte em que deveríamos pegar um poema e fazer uma apresentação. Fugi! Rebelde e imaturo! Escolhi "Roda Viva", de Chico Buarque de Holanda para apresentar prum grupo de mais de trinta pessoas acompanhado de outras duas pessoas.

A escolha por essa obra foi da mais sincera e repugnante adoção para fugir dos parâmetros que outros poemas seriam estruturados. Escolhi Roda Viva pela história, pela cultura. Escolhi Roda Viva por sempre querer ter batalhado contra ela! 

Roda Viva antes de mais nada é um modo bonito para mascarar o negativo. O negativo que destrói, o negativo que acaba com tudo por onde passa. A roda de gente viva que por onde passa, desemudece as pessoas (e o pior, em plena Ditadura Militar!). 


Chico inicia sua música dizendo que tem dias que ele (de uma forma em "a gente", como parte de um todo), se sente como quem partiu ou morreu, por justamente estar estancado - parado, deixar de correr - ou então pelo mundo que cresceu. Ele deixou de se sentir vivo muitas vezes, um sentimento de frieza o bate por ver que a sociedade está estancada e que o mundo cresceu - de uma forma tanto positiva quanto negativa.
A "roda-viva" entra na história quando dizem que querem ter seu próprio destino para mandar e voz ativa, mas eis que entra a roda-viva e leva todos os sentimentos de liberdade pra lá... "Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão, o tempo rodou num instante, nas voltas do meu coração".
Os versos da música, remetem ao ato de rodar. Por ser tão musical e bem estruturado, dá impressão de movimento, e portanto, de uma roda. Claro que a roda da música, se refere ao grupo de pessoas, um grupo vivo, uma roda viva.
Entre resistir, ir contra a corrente, cultivar roseiras, a roda viva está presente e estraga tudo. Estraga por saber que há quem resiste ao sistema, estraga por saber que há quem queira ir contra isso tudo, que cultiva roseiras, que cultiva ideias!
A roda da saia mulata não quer mais rodar, a roda de samba já não existe e não há pra quem fazer serenata, porque todos estão mudos, todos sumiram, todos se esconderam da roda-viva...
... Se esconderam porque tomam a viola às mãos tomando a iniciativa de cantar e bradar aos quatro ventos as maldades do Sistema, a opressão e por uma minoria que luta por seus direitos... Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola pra lá.
O samba que cria vozes para ouvintes curiosos e fartos de tortura e opressão... A viola que divulga ideias para os revolucionários... A roseira da teoria, e a rosa colhida pela prática... O exercício contra a opressão, três formas simbólicas, que veem de uma ilusão passageira de que tudo poderá mudar, e que de tão leve, a brisa levou... No peito a saudade cativa o desejo de mudança, e faz força pro tempo parar (com torturas, com manchetes, com alienação), mas eis que chega a roda-viva e muda tudo novamente, levando a saudade pra lá, e deixando o conformismo para uma sociedade brasileira na Ditadura Militar.

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Roda Viva foi escrita por Chico Buarque para a apresentação da peça "Roda Viva", que após as primeiras apresentações, causou-se polêmica e após feridos, bang-bang e polêmicas, teve a letra sob o carimbo vermelho de CENSURADO. 

Análise e texto de Eduardo Rezende


Leitores:

Antes de mais nada, peço as sinceras desculpas pelo atraso de postagem e falta de respostas durante certo período de tempo, com problemas já resolvidos, cá retorno!

Inicio mais um ano neste blog, cada novo ano, melhorando este espaço tão limitado e tão complicado de se conseguir acessar ou entender.
O motivo real do blog, pelo menos até este mês de janeiro, foi analisar músicas da minha banda preferida, afinal, começou na inocência e imaturidade de brincar com isso, e hoje, dedico meu precioso e limitado tempo, para transmitir para vocês o que reparo nas entrelinhas destas tão mágicas e absolutas músicas.
Pois bem, neste mês de janeiro, encerro as atividades com as músicas da Legião Urbana, e como vocês sabem, não irei parar por ai, afinal, a música brasileira é riquíssima e novos cantores e compositores, bandas e conjuntos, devem ter um espaço. Portanto, criei o e-mail olivrodosdias@live.com para poder atender à todos vocês e suas sugestões, que virão sempre ao meu auxílio para escolher bandas, mas claro, em devidas ordens e em devida seleção - muito bem feita, como sempre o fiz aqui, nas músicas.
O blog me proporcionou um aumento como fã da Legião Urbana, e o reconhecimento e conhecimento, que buscava, me auxiliando, e me deixando apaixonado pela escrita, me tornando hoje, um jornalista.
Agradeço aos velhos e novos leitores e membros, meu muito obrigado de sempre, os votos de luz e boa sorte em seus caminhos, repletos de êxitos.
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O blog conseguiu fazer o que começou e pretendia, analisando músicas da Legião Urbana. Agora começo uma nova fase, partindo para outras bandas e outras músicas do Rock Nacional e da Música Popular Brasileira, contando com as clássicas dos festivais, e às famosas dos anos 80 e 90.
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Todo o inicio de ano, pelo menos até o fim do primeiro mês, fiz mudanças no blog, e neste novo ano não foi diferente, começando à editar todas as postagens, deixando-as de um único modo.

O meu muito obrigado à todos os parceiros e amigos,
Os votos de um feliz 2013 e que todos tenhamos êxitos em todos os nossos projetos, assim como eu consegui, há dois anos atrás, brincando, criar um blog, e hoje ultrapassar o limite de acessos que jamais imaginei que teria.
Agradeço à cada acesso como agradeço a capacidade de vocês de tentarem entender esse escritor, tão chato em cada vírgula postada! O meu muito obrigado e meu desejo de retorno à cada um de vocês!


Muitas músicas da Legião Urbana não carecem de análises ou interpretações. Muitas músicas falam por si só, algumas devem ser analisadas para que nenhuma vírgula de dúvida fique, outras, interpretadas para que a situação seja correspondida ou até tentar-se entender a terceira pessoa.
Algumas delas, não carecem de nada, falam por si só. São as que chamo de apresentadas de forma simples, com estruturas simples, não que não sejam boas, pelo contrário. Não carecem de simbolismos, falam por si de forma direta, com a história contida em versos próprios.
 
"Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
(Já que você não me quer mais)
 
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver.
 
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.
(E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez)"
 
Renato disse em uma entrevista certa vez, o que é claro: que a letra retratava uma pessoa que consegue se afastar dos vícios.
Vinte e Nove talvez seja pura por isso, desprendida de simbolismos por ser um relato, por ser uma parte da vida de Renato.
Vinte e Nove é apresentada, abrindo o disco "O Descobrimento do Brasil", que tem como característica marcante a presença de letras após a fase de dependência de Renato:
É citado na música o Retorno de Saturno, que é um fenômeno que a Astrologia descreve como os 29 anos para percorrer sua órbita e voltar ao ponto em que se encontrava no dia do nascimento do indivíduo; considera-se, então, que os vinte e nove anos de vida marcam o início de uma nova fase na vida de cada pessoa. A irmã de Renato, Carmem, também diz que essa música retrata os vinte e nove dias que passou num tratamento contra o alcoolismo, que teria um sentido maior com a letra, com a fase, com a simbologia do número em questão.
 
 
Análise e Interpretação: Eduardo Rezende



Músicas da Legião Urbana costumam sempre se apresentar em diversos modos, e isso ficou muito claro após tantas análises. Dividem em grupos de poéticas, românticas, críticas, profundas. Dentro delas, com simbolismos, sendo de letras melhores elaboradas e sem simbolismos, sendo geralmente cruas e diretas. 
"Vento no Litoral" nos leva à lembranças, e num ritmo tranquilizador, nos faz lembrar realmente de coisas boas e nos desprender de poucas coisas, tentando ver se em algum momento, nos sentimos como o eu-lírico da história.

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras

Sempre imaginei que a primeira pessoa desta história se via perdida e sem respostas, e isso ficou claro, após analisar de forma tão profunda e fria esta música. 
O personagem se vê cansado - sentimentalmente e psicologicamente - e quer ir até a praia, sobre as pedras. Um possível lugar que o faz refletir, o faz pensar.

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

Indo até a praia, com a força contra as ondas do mar, Renato sabe que faz tudo isso (essa vontade de "sumir"), para esquecer o fim de algo, um relacionamento, no caso, e deixa a onda o acertar, e sabe que o vento vai levando tudo embora. Essa parte me faz imaginar alguém indo o mais profundo que consegue dentro das acolhedoras ondas, com um vento de um céu cinza batendo ao rosto.

Agora está tão longe
Ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim...

Aqui, ele volta às pedras, e no alto, repara na linha do horizonte, se perdendo em seus pensamentos e sentimentos, lembrando dos planos dele com a terceira pessoa... De quando olhavam juntos na mesma direção, com os mesmos propósitos. E agora, que longe essa pessoa está, ele se vê perdido, guardando dela o retrato e a saudade mais bonita. Guardando ela, dentro dele.

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo
O tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Nesta parte, ele percebe o erro que ambos cometeram, e pensar nisso o faz ver o lado profundo e doloroso que a imensidão do mar o provoca. Quando ele vê o mar, existe algo que diz que tudo vai dar certo, tudo irá melhorar, e que se entregar à ele é um erro fatal. Ele, o mar. Uma alusão aos problemas imensos, que conseguimos ainda assim superar, nadando de volta para o solo firme.

Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...

E após filosofar e refletir sobre o erro de querer continuar com seus problemas ou se jogar e acabar de uma vez por todas com eles, percebe que já que a outra pessoa não está com ele, o que pode fazer é cuidar de si.
Ele quer ser feliz, pelo menos da parte dele, cumprindo o que ambos prometeram, de estar-se e ficar-se bem.

Eieieieiei!
Olha só o que eu achei
Humrun
Cavalos-marinhos...

Essa parte é mais poética, mas ainda assim, por se tratar de "mar" e "litoral", Renato coloca os cavalos-marinhos dentro da letra. O que poucos percebem, é que segundo relatos, o cavalo-marinho pode manter relação "afetiva" de macho e macho, sem cumprir a ordem de casal, talvez Renato comparasse a situação dele e da terceira pessoa com os cavalos-marinhos. Ou então, o outro fato, de que cavalos-marinhos são os poucos animais fiéis ao seus parceiros, fazendo portanto, a ironia do relacionamento ter-se acabado.

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

"Vento no Litoral" tem uma moral bastante explícita, e a história que se passa, sobre as entrelinhas de Renato, é de um relacionamento que acabou, e a pessoa se vê perdida, sem rumo ou esperança, e vai até a praia para poder, no vento do litoral, conseguir forças para superar de alguma forma a fase que vive. Em cima das pedras, pensando em suicídio, Renato se revigora e se torna de certa forma, um pouco melhor. Não é uma história triste, mas uma história de fim de relacionamento, onde o personagem sofre com a ausência de uma terceira pessoa.


Texto e análise: Eduardo Rezende



Creio que a parte mais interessante para quem está do lado de cá - escrevendo - é justamente ver a letra e pensar ou no momento que ela se adequou na tua vida, e tentar colocar isso dentro do teu ponto de vista para a análise e a própria interpretação, ou então nos momentos em que ela além de se adequar, foi clara para responder o que precisava ouvir, mascarar uma pessoa que se adequava à letra e circular um tempo, onde ela se mostra, e onde não para de ser tocada, que é o que acontece quando as músicas são de novas descobertas, como aconteceu com essa, há muitos e muitos anos atrás...
Apresentada como uma letra de Renato Russo, sendo a oitava faixa de "O Descobrimento do Brasil", a letra de "Vamos Fazer Um Filme", é muito curiosa por se tratar de temas tão específicos e tão bem escritos em uma forma muito mais do que simples por Renato. 

Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um bom exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo,
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um.

Como a letra conta uma história, falarei da minha história diante dessa música tão fantástica.
A primeira pessoa se pega vendo um álbum de formatura, e dentro dele, após tantos rostos de pessoas do passado que fizeram parte de um tempo junto com ele, ele vê o rosto de uma terceira pessoa - ela, talvez - que o faz ver, sorrir e comparar aquela pessoa, daquele tempo, com a mesma atualmente... E se vê pensando em como o tempo passou, como aquela pessoa, um exemplo de bondade e respeito diante de um verdadeiro amor, talvez um amor-amizade nutrido pelo tempo e acabado pelo mesmo.
Renato então, mascarado como a primeira pessoa, faz desgeneralizar a ideia de que aquelas fotos não representam personagens, não representam o caráter das pessoas visto por outras, mas sim sentimentos próprios visto por quem os conhecessem, tirando o fato de personagens de uma fotografia, para gente de verdade, cuja imagem foi captada para perpetuar no tempo. 
"O fim do mundo", dito por Renato, caberia nas palavras dos Engenheiros, ao dizer que o "fim do mundo é todo o dia da semana", sendo portanto, o fim que Renato quis dizer, esse término deste mundo. O mundo da amizade de todos que ali estavam, de todas as pessoas do mesmo círculo, o fim do convívio com as pessoas deste mundo.

O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme.

O Sistema - talvez de Ensino ou Educação, talvez social e escolar - é falho, porém a turma do convívio é legal. Viver, batalhar e lutar todos os dias da semana é duro, é corrido, e morrer é ainda pior, porque a dúvida nos persegue.
Quanto ao "te ver", Renato pode tanto se referir à fotografia 3x4 guardada quanto à pessoa em si, que é o que imagino. Penso que a pessoa se formou com ele e é do seu círculo de convívio, talvez até a "atual esposa", ou namorada, ou talvez até uma amiga que ele tem algo à mais. 

O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?

"Vamos fazer um filme", entra no mesmo sentido de "quero escrever um livro sobre..." quando você se depara com alguma situação interessante e pensa em como seria interessante se mais pessoas pudessem compartilhar os sentimentos de forma passiva, daquilo que você sentiu. Portanto, fazer um filme, neste momento, seria para mostrar a interessante história de uma turma, de um relacionamento, de um círculo de amizades e de um tempo "que não volta mais. Não volta". 

Sem essa de que: "Estou sozinho."
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão:
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve de ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia.

Essa parte sempre se mostrou enigmática...
Após tantas informações de não estar-se sozinho, Renato nos bombardeia com animais curiosos e de diversos seguimentos, pássaros, mamíferos, homem e mitológico, e diz precisar de "carinho, liberdade e respeito", assim como todos estes animais, e complementando o não estar-se sozinho e o "somos muito mais que isso".
Renato diz querer parar com a opressão, talvez dos sentimentos, e que quer ter a sua vida em paz.
Quer um milhão de amigos, quer irmãos e irmãs (talvez os próprios amigos íntimos, sem necessariamente, serem filhos da mesma mãe ou pai), e que deve de ser cisma sua, mas a única maneira que consegue enxergar sua vida de forma bonita e concreta, é justamente fantasiando e vendo a beleza de um musical dos anos 30, comparando-o com sua vida em um momento de uma depressão ou quedas.

E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?
E hoje em dia, vamos Fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo

Após esses últimos versos de repetição, podemos ter a plena certeza de que ele ainda nutre um amor passado.
Assim como vivia sua vida comparando-a com um musical dos anos 30, está "desatualizado" até para dizer que a ama! E eis que surge a crítica tão bem colocada... Apesar de não ter dito, sabia que naquele tempo, quando se amava ou sentia atração ou até mesmo afeto por alguma pessoa, se dizia "eu te amo", e ele, ao ver a realidade do atual meio social ou sistema, se vê embaraçado, ao ver que dizer que ama alguém é a coisa mais natural do mundo, mas ninguém sabe realmente o valor de se dizer, "eu te amo". 
Curioso mencionar também, ainda dentro deste ponto, o show em que após dizer sobre um personagem (quem sabe até desta turma tão defendida por ele), chamado Zé Chinelão, Renato pergunta à platéia como se diz "eu te amo", e após respostas eufóricas, dentre elas um "I love you", Renato responde, "Ah, pensei que era: vamos ficar um pouquinho gatinha?".
A sociedade e os sentimentos mudaram. As pessoas que os sentem, se é que sentem e demonstram, mal sabem seus valores. E Renato ainda diz que é preciso acreditar nesta geração perdida!


Análise e texto: Eduardo Rezende


Quase finalizando o primeiro álbum da Legião Urbana, que levaria o mesmo nome da banda, está uma das letras mais adolescentes e mais amorosas produzidas por toda a carreira da banda. Com a mesma perfeição de "Sete Cidades", "Por Enquanto", "Vento no Litoral" e "Hoje A Noite Não Tem Luar", a letra de "Teorema", entra na lista das letras românticas que a banda deixou ao lado de tantas letras críticas e muitas vezes pesadas. Mas essa, assim como outras poucas, consegue com tal leveza e desprovimento de simbolismos, passar um recado tão simples: um amor puro, cuja letra complementa a dita "Sete Cidades". O personagem busca estar com a terceira pessoa, mostrando que com a presença dela, ele consegue ser feliz. E de tal maneira, ele mostra e compara como é o seu amor... É uma letra de um ritmo rápido e de um Renato Russo se esgoelando em começo de carreira.

Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer.
Parece energia mas é só distorção
E não sabemos se isso é problema
Ou se é a solução
Não tenha medo
Não preste atenção
Não dê conselhos
Não peça permissão
É só você quem deve decidir o que fazer
Pra tentar ser feliz
Parece energia mas é só distorção
E parece que sempre termina
Mas não tem fim
Não vá embora
Fique um pouco mais
Ninguém sabe fazer
O que você me faz
É exagero
E pode até não ser
O que você consegue
Ninguém sabe fazer
Parece um teorema sem ter demonstração
E parece que sempre termina
Mas não tem fim.

Um amor exagerado, comparado à teoremas sem explicações, comparado a energias, e negados para distorções, como se fossem feitos um ao outro, e ao mesmo tempo, distorcidos como opostos que se atraem... Talvez seja isso o amor, o complemento de iguais, e a troca de diferenças, onde os opostos se atraem, mas os iguais, formam algo único, um único e eterno - enquanto dura - amor. 


Análise e texto: Eduardo Rezende