Os Paralamas do Sucesso foram a estampa do Rock Nacional. 
Com o mesmo destino, de gênese brasiliense, desde cedo Herbert - o vocalista, guitarrista e principal compositor dos Paralamas - se interessava pela música e pelo intelecto  Com a adolescência próxima ao som da rebeldia velada pelos adolescentes, Herbert cresceu e se tornou uma das grandes vozes, grandes mentes e grande história do rock verde-amarelo. 
A banda foi formada no Rio de Janeiro no final dos anos 70, e dentre tantos marcos na vida pessoal de cada um, individualmente os integrantes conseguiram casar ideias e formar ótimas músicas: musicas românticas e simbólicas, cheias de entrelinhas e recheadas de poesias. 
Uma das grandes fases negras do rock - já fugindo das outras bandas e indo nesta, em questão - foi num ano depois da virada do milênio. Em 2001, um acidente faria Herbert se limitar à cadeira de rodas e marcaria profundamente a sua história, interromperia seus passos e sua memória, limitaria sua vida e seus sentimentos... 




Herbert Vianna, apaixonado por helicópteros e ultraleves - gosto talvez adquirido pela profissão militar do pai - e também apaixonado pela jornalista Lucy Needham, quase perdeu a vida em quatro de fevereiro quando pilotava um ultraleve que caiu no mar. Herbert segue palavras (perdidas na memória) e busca estrelas ("quem morre vira estrela", busca direção), pra entender o que é que o mundo fez pra sua amada ir de forma tão trágica e entender o porquê de sua alegria durante toda a vida ("rir assim"), e de repente o mesmo mundo do qual sua amada fazia parte e que a fazia tanto rir, já não a tem em seu meio social. "Pra não tocá-la, melhor nem vê-la", pra não sentir sua ausência e a vontade de querer senti-la junto de si, melhor não vê-la na memória, pois ainda se pergunta "como que ela pode se perder" dele. Faz frio (ausência do calor dos sentimentos) e faz tempo, que sua amada se perdeu dele. Ele sente vontade de tê-la e busca semelhanças em outras pessoas em vários lugares, em ruas e outdoors pela avenida, mas as pessoas, que na verdade não à são, não entendem. Na verdade poderia ser ela, mas ela não vê. Ele fica acordado noites inteiras, angustiando-se e chorando, sentindo que os dias parecem não ter mais fim...
Herbert cita "esfinge da espera", levando em conta que as esfinges remetem ao enigma, seria o enigma da espera, o enigma da esperança fica em cima dele, e ele sente falta, pois sente que parte do seu mundo se perdeu, e mesmo sabendo que ela pode estar presente, ela não está. Seus olhos não estão, fisicamente, ali. Ele já não consegue não pensar nela. E o que pensa, é a memória, que todos nós, que já enfrentamos a morte, sabemos ser das noites acordados, juntando pedaços de uma vida, juntando retratos da memória. 


Análise e texto: Eduardo Rezende 


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