Em Brasília, no puro tédio que atormentava todos os filhos de bancários, políticos, importantes ou demais burgueses, haviam drogas, músicas e rebeldia.
Sem ter onde explodir, os jovens acatavam aos desejos dos prazeres instantâneos e apelavam para burrices de vandalismo. Haviam os vândalos de boa consciência, que apenas quebravam os bons costumes com a classe dominante. Pasmem: eles surgiam da mesma.

Formada a Turma da Colina, jovens brasilienses como Renato Russo (na época, em Aborto Elétrico), Dinho Ouro Preto, dentre outros amigos, favoreciam o solo brasileiro com a marcha ao Rock. Junto à eles, Philippe Sebra, Gutje, André X e Jander Bilaphra, dando origem à Plebe Rude, que como todos os outros músicos adolescentes da época, tinham tudo nas mãos, mas queriam ser mais... Queriam fazer a diferença, ignorando o mundo que viviam e querendo melhorar aquele ignorado pela TV.


A música começa com Philippe alterando seu tom de voz e afirmando que a culpa de ter nascido com a benção de um berço de ouro não é dele. Nascendo em boas condições, com a benção de dinheiro na frauda, não é culpa dele - nem dos que compartilhavam a mesma realidade -, mas isso não é desculpa pela má distribuição. Nascer rico não ignora o fato de haver gente passando fome.
As vozes ao fundo afirmam o pensamento dos que ainda lutam e insistem pela Esquerda: "Com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração?". Interessante ouvir isso, nos faz pensar realmente com o lado socialista que muitas vezes deixamos de lado, ignoramos, menosprezamos ou xingamos e não percebemos a profundidade disso. Com tante gente ganhando mais, cadê a igualdade, a justiça de oportunidades? "Até quando esperar?"
Prosseguem perguntando onde está a esmola que dão sem perceber (a Mais Valia: se eu trabalho dez horas e recebo o equivalente ao trabalho de oito horas, logo trabalho duas horas a mais para enriquecer o burguês patrão). "Aquele abençoado poderia ter sido você". Referência novamente às oportunidades. O abençoado, o patrão, o burguês. Ele teve o "acaso", ou "sorte", ou "predestinação" (se preferir), de ter nascido com essas oportunidades. Por que nós não? Por que a oportunidade não nos é dada?
"Até quando esperar a plebe ajoelhar, esperando a ajuda de Deus", essa pergunta é o mais interessante de toda a música. Não se sabe se perguntam aos burgueses: até quando esperam que iremos ajoelhar e esperar alguma ajuda divina para conseguimos melhorar?, ou se perguntam à própria classe proletária: até quando vão continuar se ajoelhando e esperando um ser invisível tomar suas atitudes e lutar pelas suas justiças? A liberdade está em ser rebelde, e ser rebelde é conquistar direitos, justiças e igualdades.

"Posso
Vigiar teu carro
Te pedir trocados
Engraxar seus sapatos"

Acima está o apelo do proletário para tentar ter alguma coisa.
Vigiar o carro do burguês. Pedir esmolas ao burguês. Engraxar os sapatos do burguês.
"O mundo esteve em constantes lutas de classes" diria Karl Marx, e nunca mais do que certo.
Filhos de ricos (poderiam até ser chamados diretamentes de ricos, mas a riqueza jamais veio pelo esforço individual de cada um), que faziam músicas para outros filhos de ricos, falando das desigualdades dos pobres, dos problemas dos pobres e dos anceios dos pobres. Filhos de ricos (que nascem com a bênção), pedindo as desculpas por um erro que vem apenas de um sistema mudo que esquece sua classe trabalhadora.

E ai dos machados e martelos que um dia ainda se levantarão.


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